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Após campus, cidade de Santos terá centro de pesquisas da USP

Publicado em 01 julho 2012

Por Giuliano Tonasso Galli

Fruto de um acordo assinado em 2011 entre o governador do Estado, Geraldo Alckmin e o reitor da USP, João Grandino Rodas, o campus da USP em Santos já funciona há quase quatro meses. As instalações localizadas no bairro Vila Mathias, área central que a prefeitura de Santos cedeu a USP, no entanto, apresentam algumas carências, como a biblioteca com poucos títulos e uma quantidade de salas incompatível com a expansão dos cursos do campus, prevista para os próximos anos.

No campus de Santos, são ministrados os cursos de graduação em Engenharia de Petróleo, especialização em Ética, Valores e Cidadania e mestrado em Sistemas Logísticos. Além disso, a cidade do litoral paulista também receberá um centro de pesquisas da USP, que ocupará uma área portuária e terá como base um navio com área superior a 600 metros quadrados, capacidade para transportar 20 pessoas e deslocar quase mil toneladas.

Transferência

O curso de Engenharia de Petróleo era ministrado na Escola Politécnica, na Cidade Universitária, em São Paulo, desde 2002. Mas, segundo o governo estadual e a reitoria, o objetivo da transferência para o litoral foi atender à demanda gerada pelas instalações da Petrobras para a exploração do petróleo da camada pré-sal na Bacia de Santos. Os dez alunos selecionados pelo último vestibular da Fuvest já iniciaram as aulas nas instalações de Santos.

Em fevereiro, os alunos que cursavam Engenharia de Petróleo na Poli chegaram a visitar as obras do campus da USP em Santos, quando elas já estavam prestes a serem finalizadas. "As pessoas conhecem Santos por causa da praia, do futebol e, alguns, até por causa do porto. Mas a história e a cidade ficam esquecidas. Talvez com a USP aqui, isso mude um pouco. Acho que vai ser importante para a cidade, acima de tudo", aposta a aluna Luana Camilo.

Estrutura carente

Com quase três meses de aulas no novo campus, os alunos apontam algumas carências, mas aprovam a receptividade da cidade. "É claro que ainda faltam coisas, que com o tempo serão melhoradas. A biblioteca, por exemplo, tem poucos títulos. Mas as salas, os teatros e, principalmente, os laboratórios são muito bons", relata Dafne Reis. "A cidade e a população de Santos como um todo nos recebeu muito bem. É muito legal morar aqui", completa a estudante.

A USP de Santos funciona em um prédio tombado no centro da cidade. O edifício, de 1900, foi projetado por Ramos de Azevedo, primeiro vice-diretor da Escola Politécnica. A universidade ocupará o segundo andar do prédio, com um anfiteatro, seis salas e banheiros. Os laboratórios de informática têm um computador para cada aluno, e a biblioteca apenas uma estante, com livros de cálculo, física e química, usados no ciclo básico.

Já trabalham no campus treze servidores técnico-administrativos, além de oito professores recém-contratados. Em cinco anos, serão chamados mais 22 docentes e todos os laboratórios do curso de Petróleo vão se mudar para Santos, uma vez que ainda restam alguns na Escola Politécnica, em São Paulo.

No próximo vestibular, o número de vagas na graduação deverá subir para cinquenta. Desde 2002, o curso selecionava apenas dez calouros.Centro de pesquisa

Além do campus no centro da cidade, a USP terá outras instalações na cidade de Santos. No mês passado, ficou acordada a cessão de uso da área do armazém oito, no Porto de Santos, para que a USP implante um centro de pesquisas. O projeto, realizado em parceria com a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), visa realizar estudos multidisciplinares não apenas sobre a exploração do petróleo, mas também de outros fatores oceanográficos daquela região.

A base do centro de pesquisas, no entanto, não será no armazém, mas sim em um navio, o Alpha Crucis, que atracou no cais santista há três semanas. O navio foi comprado pela Fapesp para a USP, por meio do Programa Equipamentos Multiusuários (EMU). A embarcação, que partiu de Seattle, nos Estados Unidos, substituirá o navio Professor Besnard, utilizado entre 1967 e 2008. Há quatro anos, o Estado de São Paulo estava sem um navio oceanográfico e, com isso, muitos projetos de pesquisa esperavam uma nova embarcação para desenvolver o trabalho de campo.