Notícia

AEASMS - Associação dos Engenheiros e Arquitetos Servidores Municipais de Sorocaba

Aplicativo possibilita monitorar pacientes com câncer

Publicado em 10 agosto 2021

A startup WeCancer lançou em 2017 a primeira versão de um aplicativo para monitoramento remoto de pacientes com câncer. Por sua eficiência em aproximar as equipes médicas das pessoas em tratamento oncológico, a plataforma já conta com a adesão de diversos hospitais, possui mais de 2,5 mil usuários e realiza, em média, 800 atendimentos por mês.

Agora, a empresa acaba de ter um projeto aprovado pelo Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), com o objetivo de desenvolver uma modelagem preventiva em relação às hospitalizações, agregando ao aplicativo tecnologias de inteligência artificial e machine learning. Dessa forma, será possível aumentar o impacto da ferramenta no Sistema Único de Saúde (SUS), evitando hospitalizações desnecessárias e reduzindo custos de tratamento.

De acordo com César Filho, cofundador e CEO da empresa, os hospitais pagam uma mensalidade para dar acesso ao aplicativo para seus pacientes oncológicos. O monitoramento é feito a partir de dados inseridos pelos próprios pacientes na plataforma.

“Nossos produtos tecnológicos incluem o aplicativo, que é acessado gratuitamente pelos pacientes, e um dashboard por meio do qual os profissionais os acompanham. Além disso, a plataforma oferece uma área de gerenciamento de sintomas, outra de organização das jornadas de tratamento, além de uma de conteúdo informativo e um chat, por meio do qual o paciente consegue interagir diretamente com a equipe de enfermagem”, explica.

No aplicativo, o perfil de cada paciente em tratamento de câncer inclui dados pessoais, medicamentos em uso e atividades cotidianas. Seus indicadores de saúde física e psicoemocional são transformados em gráficos acessados pelo médico, permitindo acompanhar o quadro clínico e a evolução do paciente durante o tratamento.

Segundo César, a WeCancer também possui sua própria equipe de coordenação de cuidado e navegação de pacientes, dirigida pelo oncologista Tiago Jorge, diretor-médico da empresa, que coordena uma equipe com psicólogo, enfermeiro, nutricionista, farmacêutico e pesquisadora clínica.

“Temos também uma unidade capaz de captar dados para transformá-los em informação e conhecimento, gerando inteligência para os hospitais parceiros, que podem utilizar esse recurso para otimizar suas linhas de cuidado”, diz César.

Esse atendimento é um dos recursos utilizados para aprimorar a qualidade de vida do paciente. “Logo entendemos que não adiantaria ter apenas o software, porque muitas vezes o paciente tem uma náusea, por exemplo, e precisa de cuidado e orientação imediata”, afirma.

Diferentes usuários

O fluxo de pacientes tem aumentado de forma incessante desde o lançamento do aplicativo. Só no mês de junho, por exemplo, foram feitos 1.100 atendimentos, segundo César, sendo que 600 foram realizados por meio do SUS. “Mais de 50% dos nossos usuários são do sistema público de saúde”, relata César.

Segundo Lorenzo Cartolano, também cofundador e CFO da WeCancer, além do modelo de negócios com foco em hospitais, a empresa também tem uma vertente voltada para a indústria farmacêutica, que busca a plataforma para oferecê-la a seus clientes.

“Na unidade de negócios voltada para a indústria farmacêutica, operacionalizamos atendimentos especiais, envolvendo imunoterapia, por exemplo, ou trabalhamos com pesquisa clínica junto a parceiros de centros de pesquisas do país, que utilizam a plataforma para monitorar e engajar pacientes ao longo de ensaios clínicos”, explica Cartolano.

Já no caso da unidade de negócios voltada aos hospitais, a empresa licencia o software e a equipe hospitalar pode utilizá-lo como canal de relacionamento com o paciente, ou pode escolher terceirizar o serviço de atenção, utilizando a equipe da WeCancer.

“Existe um custo para manter essa equipe própria, mas hoje, em função da concepção dos produtos e da tecnologia, conseguimos automatizar algumas partes do processo, a fim de ganhar eficiência e escala. Hoje, temos capacidade instalada para atender 1.600 pacientes por mês”, diz Cartolano.

Entre as instituições que já utilizam a plataforma WeCancer estão os hospitais Israelita Albert Einstein, Beneficência Portuguesa, Municipal Vila Santa Catarina e o Instituto de Oncologia do Paraná. Na unidade de negócios com foco na indústria farmacêutica, o aplicativo também é utilizado pela Roche e pela AstraZeneca.

De acordo com Lorenzo, que entrou como sócio investidor na WeCancer no início de 2017, o crescimento da empresa foi alavancado em 2018, quando a startup foi selecionada para fazer parte do hub de inovação do Hospital Israelita Albert Einstein, o Eretz.bio. Os empresários tiveram contato com mentores e receberam o primeiro aporte institucional.

“Nos inscrevemos para a incubadora de startups do Einstein e soubemos que eles estavam desenvolvendo uma solução semelhante. Em abril de 2018, nossa empresa foi incubada e a instituição encerrou o desenvolvimento de uma startup interna, com objetivo idêntico, para investir na nossa empresa”, diz César.

O pesquisador, que tem formação em biologia, e Lorenzo, com formação em administração, contam que a empresa nasceu a partir de uma trágica experiência pessoal vivida por ambos: eles perderam suas mães para o câncer. Em 2014, César acompanhou de perto o tratamento de sua mãe, que lutava contra um tumor no ovário. Criado em uma família pobre do interior de Minas Gerais, ele acompanhou o duro tratamento pelo SUS ao longo de 11 meses.

“O tratamento era realizado em outra cidade – algo muito comum no Brasil, onde poucas cidades têm hospitais de câncer – e era preciso viajar 80 quilômetros. Muitas vezes eu não sabia o que deveria fazer se minha mãe apresentasse alguma reação adversa em casa”, conta César.

Em contato com outros pacientes, o biólogo percebeu que isso é muito comum, e eventualmente as viagens são muito mais longas entre a residência de um paciente do sertão e um hospital oncológico em uma capital, por exemplo.

“A pessoa vai ao médico local e ele envia o paciente de volta à capital. É um prejuízo de saúde enorme para as famílias. Uma tragédia, porque esse paciente recorre ao pronto-socorro e metade deles nem precisava estar lá. Essa é a história de milhões de pessoas”, estima.

A partir dessa experiência, César começou a trabalhar para entender como levar o hospital para a casa do paciente. “Observei que, na maior parte do tempo, o paciente está em casa, sem acompanhamento médico. Ele desconhece os efeitos adversos, cai facilmente em fake news e a família acaba adoecendo junto”, diz.

Foi quando, por meio de amigos em comum, ele conheceu Lorenzo, que estava atuando no mercado financeiro e sabia como montar um negócio. O administrador, que também acabara de perder a mãe para um câncer de pâncreas, tornou-se sócio e fez o primeiro investimento na empresa, de R$ 80 mil.

“Eu nunca havia pensado em trabalhar com saúde, mas vivia uma história muito parecida com a do César, apesar do contexto diferente, em um hospital privado do Rio de Janeiro. Mas as dores eram muito parecidas e trabalhamos duro para fazer dessa história um negócio. A empresa nasceu do amor e da saudade, em homenagem às nossas mães”, diz Cartolano.

A premissa fundamental, segundo ele, era desenvolver uma tecnologia amigável, voltada para pacientes com pouca intimidade com a tecnologia e escolaridade baixa. Eles focaram na chamada patient centricity, que é uma maneira de observar toda a problemática da saúde pelo ângulo do paciente e não do sistema de saúde.

“Nosso objetivo a longo prazo é deixar de ser uma plataforma de terapia digital para ser uma plataforma de saúde. Isso é possível, pois há uma tendência muito forte na oncologia rumo aos medicamentos orais e subcutâneos e isso permite que os pacientes façam seu tratamento em casa – o que aumentará significativamente a relevância da nossa solução”, avalia.

Fonte: SP Notícias

Essa notícia também repercutiu nos veículos:
Folha de S. Paulo UOL Folha.com O Estado (CE) online Pequenas Empresas & Grandes Negócios online CV Agora Saúde em Tela N5 Notícias Coluna Supinando Tribuna Paulista Notícias da Sua Cidade Notícias Brasil Morato Hoje Tech 4 Health Jornal Tabloide online (Cotia, SP) TV Caparaó Diário de Indaiatuba Água Fria Notícias São Paulo FM Instituto Oncoguia Classificados D Panorama Farmacêutico Blog O Correspondente Notícias Metropolitanas online Gazeta Costa Sul ID Brasil DOL - Diário Online Folha da Minha Sampa Metro Jornal online DF Manchetes RM Consult Quimiweb Notícias & Artigos Programa InfoSalud (Argentina) FOCEP Brasil Bomba Bomba Beto Ribeiro Repórter Ata News Expresso Regional Jornal do Farol online Jornal Estação online Instituto Oncoguia Revide Vida Celular Portal Notícias Diárias Abime Brasil - Agência Brasileira Imprensa de Mídia Eletrônica O Dia (SP) Diário do Pará online Brasil de Olho Benefícios News Conexão Na Cidade Campo Belo em Foco CVN Notícias FEDAP - Fundação de Estudos para o Desenvolvimento da Administração Pública DM Anápolis online Diário em Foco DF Agora Gazeta da Semana Mustach ND1 Mix Vale Jaguariaíva em Foco Jornal A Voz do Povo online (Uberlândia, MG) Portal Afunilados Penha News Panorâmica News Pelo Mundo DF Oeste 360 Oeste Ao Vivo O Repórter Regional online Nosso Goiás Rede Interativa Portal do Governo do Estado de São Paulo Portal R10 Maranhão Radar MT TV Interbam Agência de Notícias – Defesa Belém online Região Noroeste Dom Total Portal da Saúde News AVOL - Antônio Viana Online Jornal O São Paulo Portal da Enfermagem Instituto Oncoguia Medicina S/A Meio Norte online (Piauí) Saense Garanhuns Notícias Guarulhos Hoje