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Diário Oficial do Estado de São Paulo

Aplicativo desenvolvido na USP participa de concurso internacional

Publicado em 28 março 2018

Por II

Um aplicativo que permite acompanhamento remoto de idosos, criado pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação de São Carlos (ICMC), da Universidade de São Paulo (USP), é o único projeto brasileiro participante do concurso europeu SilverEco and Ageing Well International Awards 2018. A instituição europeia reconhece os melhores produtos, soluções e iniciativas voltadas aos mais velhos no âmbito social. O anúncio do vencedor, entre os 50 candidatos do mundo, deverá ocorrer amanhã (29), em Paris, na França.

O sistema Espim, utilizado para monitoramento a distância, funciona como base do aplicativo Sensem — software de tarefas aplicado há seis meses nas aulas de informática para idosos, na Escola de Artes e Ciências Humanas (Each) da USP, câmpus Leste, em São Paulo, e no ICMC da USP de São Carlos.

A professora Maria da Graça Campos Pimentel, do Departamento de Ciências da Computação, conta que desenvolveu o sistema há dois anos para usar a tecnologia e aproximar remotamente aluno ou paciente de seu instrutor, profissional de saúde ou educação. “Não existe tecnologia semelhante no planeta que promova mudança de comportamento do aluno. A ferramenta tem recursos para que o instrutor acompanhe as tarefas do aprendiz a distância e o oriente para que os exercícios sejam executados corretamente”.

Aprendizagem – No caso das aulas de informática, os idosos aprendem como usar tablet e smartphone e suas funcionalidades, entre elas tirar fotografias, enviar e-mail, entre outras. Todos que participam do projeto têm os aplicativos instalados em seus celulares ou tablets. E recebem, num momento programado pelo especialista, sinal de alerta informando que devem fazer determinada tarefa. As solicitações são enviadas aos monitores (alunos de gerontologia), que podem perceber e analisar o aprendizado adquirido durante as aulas de informática.

O projeto recebeu recursos financeiros da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que viabilizaram o aprimoramento do sistema para participar do concurso internacional.

Acesso gratuito – Graça informa que os pesquisadores finalizam alguns ajustes técnicos. A previsão é que o aplicativo estará disponível, gratuito para download, no celular versão Android, a partir de amanhã (29).

O app Sensem poderá ser usado para diversas atividades ou exercícios do cotidiano, com supervisão de pais, profissionais de saúde ou educação. Permite, por exemplo, acompanhar crianças com autismo e outros grupos, estimulados a desenvolverem tarefas específicas, conduzidas e corrigidas por um instrutor.

O sistema possibilita que o aluno grave fotografias, vídeos e comunique-se por texto ou áudio com quem supervisiona o exercício. Outra aplicação ocorre entre pesquisadores interessados em coletar dados num questionário direcionado a determinado grupo. O Sensem também pode ser integrado a outros aplicativos e ampliar as funcionalidades.

Na avaliação da professora, somente a indicação ao prêmio internacional é bastante significativa. “Nosso trabalho é modesto em recursos, comparando-se aos demais projetos participantes, mas inédito por integrar intervenção de instrutores e acompanhamento remoto”, comemora.

Os finalistas da premiação passam por duas etapas: a votação aberta ao público e a avaliação de um júri composto por profissionais da área da gerontologia de todo o mundo.

Viviane Gomes

Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial

Ferramenta dá origem a nova pesquisa

Yoko Fujishita, de 78 anos, vivia reclamando que as netas estavam sempre com os olhos grudados no smartphone. “Agora sou eu que não largo o celular. Criei até um grupo da família para saber quem vem almoçar em casa e combinar outras coisas”, conta orgulhosa.

A mudança aconteceu depois que ela aprendeu a utilizar os recursos do aparelho digital na Oficina de idosos on-line – Aprendendo na Rede, oferecida pelo programa da Unati (Universidade Aberta da Terceira Idade), da Each (Escola de Artes, Ciências e Humanidades) da USP, conhecida como USP Leste.

Antes mesmo de que Yoko desse conta do desembaraço tecnológico que adquiriu com o curso, seus monitores puderam se cientificar disso, já que ela foi uma das alunas que participaram dos testes do Sensem, realizados no ano passado. Iniciado em um projeto piloto com apenas sete pessoas, o treinamento com o app já abrangeu cerca de 50 alunos.

Letramento digital – “O objetivo da iniciativa, que agora tornou-se uma nova pesquisa, é verificar a efetividade do que ensinamos e quais as dificuldades que as pessoas enfrentam para utilizar, em casa, o que aprenderam na aula”, explica a professora do curso de gerontologia da Each, Meire Cachioni.

Segundo ela, foi a partir da experiência com o Sensem que tornou-se possível estruturar a proposta do projeto de pesquisa voltado especificamente para a verificação, com rigor científico, da eficácia do letramento digital de idosos realizado na universidade. “Era uma coisa que eu sentia a necessidade de fazer há tempo e somente consegui por meio do acompanhamento remoto”, diz Meire.

Foco na dificuldade – A doutoranda em gerontologia Tássia Chiarelli, que atua no monitoramento, conta que, com o Sensem, é possível visualizar o número de vezes que o aluno usou o aplicativo, se teve dificuldades, quantas repetições realizou, entre outras coisas. “Os monitores utilizam essas informações para focar naquilo que é mais importante para cada aluno”, destaca. Tássia diz que o recurso era utilizado nas oficinas de smartphones e de tablets, que eram separadas. “Agora foram reunidas porque muita gente é adepta dos dois aparelhos”, explica.

É o caso de Luzia Marlene Viana, de 65 anos, que aprendeu com o tablet, mas também usa muito o celular. “Achei ótima a experiência com o Sensem, porque ele cobra e faz com que a gente não deixe de praticar”, considera. Ela diz que o app foi importante até para que conseguisse convencer seu ma - rido, até então relutante em usar aparelhos digitais, a ingressar na oficina.

Com a professora aposentada Marina de Lourdes Izzo, também de 65 anos, aconteceu o oposto. Apesar de ter conhecimento sobre esse tipo de tecnologia, resolveu fazer o curso para atender ao pedido do marido, interessado em frequentá-lo, mas não sozinho.

Simone de Marco

Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial