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Portal Gazeta de São Carlos

Aplicativo auxilia no tratamento de depressão em idosos

Publicado em 26 fevereiro 2019

Por André Julião, da Agência FAPESP

Um grupo de 35 mil idosos de Guarulhos será entrevistado a partir de abril a fim de testar o custo-benefício de um protocolo de diagnóstico e tratamento da depressão em pessoas com mais de 60 anos.

O estudo é realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e do King’s College London, do Reino Unido, financiados pela FAPESP e pelo Medical Research Council.

“Estamos iniciando o ensaio clínico randomizado. Há uma fase de recrutamento muito longa, porque precisamos de mais de 1.400 pessoas. Levando em conta que a prevalência de depressão é de aproximadamente 10% da população, para encontrar esse número de pacientes precisamos entrevistar pelo menos 10 vezes mais”, disse Ricardo Araya, professor do King’s College e um dos responsáveis pela pesquisa.

O estudo foi apresentado na FAPESP Week London, realizada nos dias 11 e 12 de fevereiro de 2019.

No Brasil, a pesquisadora responsável pelo projeto é Marcia Scazufca, professora da FMUSP. Scazufca e Araya já tinham realizado outro projeto em conjunto que serviu de base para o novo estudo.

No trabalho anterior, o grupo desenvolveu o programa experimental de assistência a idosos com depressão, cujo custo-benefício será testado agora. Nos cinco meses da intervenção, composta de visitas às casas de pacientes previamente cadastrados, 87% apresentaram melhora significativa nos sintomas, chegando mesmo a reverter o quadro de depressão.

O projeto serviu ainda para treinar as equipes de agentes comunitários de saúde e para o desenvolvimento do aplicativo, que interage com os idosos usando um tablet.

“Chegamos à conclusão de que a plataforma tecnológica funciona. E há uma eficiência de ao menos 11% comparando as pessoas que usaram e que não usaram. Isso é significativo. Se pensarmos que 10% da população tem depressão, excluindo as crianças, temos potencialmente 12 milhões de brasileiros que poderiam se beneficiar com a plataforma”, disse Araya à Agência FAPESP.

O aplicativo, que recebeu o nome ProActive, foi concebido no Hospital das Clínicas da FMUSP para ser usado na Estratégia Saúde da Família do Sistema Único de Saúde (SUS), em que o trabalho é realizado por equipes de médico, enfermeiro, auxiliares de enfermagem e agentes comunitários de saúde, treinados para liderar a abordagem e realizar os primeiros atendimentos em domicílio.

Nele são usadas técnicas simples de psicoeducação e de ativação de comportamentos, consideradas efetivas para o tratamento da depressão. Uma delas consiste em apresentar ao paciente como diferentes atitudes diante dos sintomas da depressão podem ajudá-lo a se sentir melhor ou piorar o quadro (leia mais em: http://agencia.fapesp.br/24572/).

Agora, com mais voluntários, será possível medir quão efetivo seria o uso da plataforma numa população maior e se o custo seria viável para aplicação no SUS.

“A questão-chave é que não há profissionais especializados para atender toda essa população. Por isso, uma ferramenta como essa, caso se mostre viável, será positiva para a população brasileira”, disse Araya.

Todas as notícias e vídeos sobre a FAPESP Week London estão disponíveis em: www.fapesp.br/week2019/london.