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Aplicações da C&T foram atrativos da ExpoT&C

Publicado em 18 julho 2008

Por Flamínio Araripe

Produtos inovadores estiveram à mostra no espaço junto com iniciativas de divulgação científica

A ExpoT&C, a exposição do trabalho das empresas e instituições ligadas à C&T na 60ª Reunião Anual da SBPC atraiu público de todas as idades. Citado pelo ministro da C&T, Sergio Rezende, em seu discurso na abertura do evento, por contar com a participação dos institutos e agências do Ministério, o espaço recebeu também grande mostra da Fapesp e de muitas outras entidades.

Uma tabela periódica com ícones de minerais de um lado e de produtos que usam a mesma matéria prima na sua fabricação acendeu três vezes a luz de acerto quando Mateus Nobre, de 11 anos, plugou o pino da bauxita na latinha de refrigerante, a argila nos vasos de cerâmica e o ouro nas barras do minério. Além da versão luminosa e interativa, Núria Castro, da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), produziu um quebra-cabeça com todos os itens da tabela periódica e figuras que usam o mineral na produção.

No estande vizinho, o Centro de Pesquisa Renato Archer (CenPRA), demonstra duas carteiras digitais para escola, a BT Tabelt, patenteada no Brasil e Estados Unidos. A tecnologia custa cerca de R$ 800 e tem como primeiro cliente as escolas municipais de Serrana (SP), informa Pablo Paredez Angeles.

Possui tela de toque e sistema de interação com caneta apropriada para escrever na tela. A tecnologia pode ser usada como uma carteira normal, pelo formato, mas o tampo pode ser levantado como prancheta de arquiteto.

"A idéia é que a criança tenha interação com o computador de maneira mais natural", disse Pablo Paredez Angeles. A carteira traz multiprocessador comercial e softwares, com funções de desenho, processador de texto, cálculos matemáticos e está apta a receber softwares educativos. Segundo o apresentador do CenPRA, a novidade pode ser adaptada para o Programa de Inclusão Digital do MEC com uma CPU acoplada a cinco terminais ou carteiras, para redução de custo.

Uma aplicação da energia nuclear que pode conviver no dia-a-dia do cidadão comum – qualquer um de nós – é uma das primeiras atrações no estande da Cnen logo na entrada da ExpoT&C. A irradiação de ondas gama emitidas de modo similar às ondas de rádio-freqüência, tem grande poder de penetração na matéria e serve para conservação de frutas, grãos, tubérculos e outros itens comestíveis.

"E se usar, os alimentos não vão ficar radioativos?" – essa é a pergunta mais freqüente, diz Wellington Soares, da Cnen, que explicava a estranha aplicação da radioatividade diferente da bomba atômica. Ele mostra um tubo de ensaio vedado em 1997 com sementes de amendoim intactas e outro com a oleaginosa carcomida pelos fungos. Os raios gama mataram os microorganismos.

A radiação assim aplicada aumentar a vida útil da batata inglesa em um ano sem brotar galhos do tubérculo, estica em mais um mês a vida de prateleira da manga, do morango em 12 dias. Tudo amparado por legislação de mais de 10 anos vigente no Brasil, diz Soares. "E não custa nada para as empresas?" – indago.

- Só o custo do homem-hora envolvido na aplicação e a amortização dos equipamentos, responde Soares.

Segundo ele, a Embrapa tem um projeto de aplicar os raios gama para conservação da castanha do Pará. Só em São Paulo e em Belo Horizonte a Cnen tem laboratórios para prestar esse tipo de serviço. Há também empresa privada que presta o serviço, a Embrarádio e outra também no Sudeste.

A agroindústria e o setor de fruticultura para exportação pouco usam por desconhecimento de que o serviço existe. Sugiro a instalação do serviço no Nordeste onde está concentrada a produção de frutas do país. Também o mineral quartzo na cor branca, que custa R$ 10 o quilo, pode ficar colorido com os raios gama e sobre de preço para R$ 200 o quilo, diz Soares. Segundo ele, passaram pelo tratamento alguns produtos que estão no dia-a-dia da sociedade como o algodão do cotonete e o bico da mamadeira, para esterilização.

Logo adiante, no setor do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), um homem com uma roupa adornada de eletrodos tem todos os seus movimentos projetados como um boneco num telão de TV e tudo que faz armazenado no computador. É um parente do homem-aranha do cinema, fruto da computação gráfica. A roupa foi comprada na Alemanha, e serve para estudos de ergonomia.

O INT presta consultoria a empresas para fazer estudos ergonômicos e de postura no ambiente de trabalho com sua equipe de especialistas em biomecânica, explica Denise Silva Batista, que trabalha no setor. Na investigação para detectar os problemas de ergonomia, alguém do laboratório ou empresa veste a roupa e durante um período continua a fazer os mesmos movimentos que originaram a queixa de algum incômodo físico como dor lombar ou problema de outra natureza.

Todos os movimentos são salvos no computador e depois é feita a análise de dados para proceder ao rearranjo de modo a atender às necessidades das pessoas, conta Denise Batista. A Petrobras já contratou o serviço para melhoramentos no setor de petróleo e gás, a remodelação de sala de controle, ambulatório, refeitório, refinaria e plataforma marinha. A Vale do Rio Doce, Aracruz Papel Celulose também são clientes.

Uma empresa de Petrópolis (RJ) que fabrica vassoura para garis teve identificado e resolvido um problema causado ao varrer em lugar baixo. A solução veio na forma de uma vassoura especial ergonômica propícia para estas ocasiões, disse Denise Batista.

O Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) montou um grande painel para mostrar como é a fonte de luz síncrotron, desenvolvida e já operando na sede do órgão, também em Campinas. Com ela, físicos e químicos fazem pesquisas destinadas à compreensão de materiais biológicos e não biológicos, informa Roberto Medeiros. O Brasil foi pioneiro em dominar a tecnologia no hemisfério Sul – agora também a Austrália chegou a este clube ao qual pertencem 17 países no mundo.

Para conhecer a sede do LNLS foi criado um roteiro de visitas de uma hora em ônibus que levou oito grupos de 40 pessoas. O LNLS hoje conta com 15 linhas de luz acopladas à luz síncrotron, o local onde os pesquisadores fazem os seus experimentos para conhecer as propriedades do material que está sendo estudado, conta Roberto Medeiros. A fonte produz raios X e ultra violeta com alta intensidade para pesquisa.

O LNLS possui alojamento com 23 apartamentos para receber os pesquisadores. Para chegar lá são submetidas propostas científicas, analisadas por um comitê que, ao aprovar os estudos, aloca dias e horários. A fonte de luz fica ligada 24 horas por dia.

A Embrapa Meio Ambiente quer levar ao pequeno produtor a tecnologia do pulverizador eletrostático que nos grandes cultivos roda em trator para fazer a pulverização da cultura. Criou uma versão em miniatura, o pulverizador costal movido a quatro pilhas recarregáveis comuns. A tecnologia já é comercializada para grandes máquinas acopladas ao trator, e não existia para o pequeno produtor ou região de declives sem o acesso do veículo.

A pulverização eletrostática - explica Luiz Guilherme Wadt, da Embrapa - possui carga de alta voltagem que induz carga eletrostática nas gotas que são pulverizadas. Como a planta tem carga interna, atrai as cargas contrárias direto para as folhas. Com isso não há desperdício, o defensivo não polui o meio ambiente, não dispersa no vento nem cai no chão, informa.

Está pronto o protótipo para alguma indústria que queira construir o equipamento em escala. Para carregar as pilhas onde não tem energia elétrica, a Embrapa Meio Ambiente já criou outro protótipo, um pequeno gerador de preço mais acessível do que o modelo atualmente disponível no mercado. A tecnologia funciona com qualquer tipo de combustível – lenha, carvão, biomassa ou biodiesel -, acentua Luiz Wadt.

Funciona com o motor de ciclo Stirling. Após acesa a chama com fósforo, o ar dentro esquenta até aumentar de volume e empurrar o pistão para a frente. O ar vai para a região de esfriamento, diminui de volume e puxa o pistão. Uma bobina gera corrente elétrica, assinala Wendt, que convida o pequeno Mateus Nobre – ele já estava examinando outra novidade na ExpoT&C -, a fazer a primeira rotação no equipamento, que dispara a gira.