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Claudio Tognolli

Apesar de vacina, tropeços de Doria preocupam tucanos

Publicado em 26 janeiro 2021

Por Claudio Tognolli

A recente vitória política sobre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em relação à vacina fortaleceu o governador João Doria dentro do PSDB em seu plano de disputar a Presidência da República e desviou o foco da série de reveses do tucano nas últimas semanas —da viagem a Miami a desentendimentos com prefeitos, passando por aumento na tributação e corte de verbas. Apesar de minimizados por aliados diante do êxito da Coronavac, os recentes erros e tropeços do governador estão no radar dos tucanos e podem cobrar seu preço em 2022. Se a vacina do Butantan é um ativo de longo prazo para Doria, os setores afetados por seu ajuste fiscal promovido também prometem não esquecer tão cedo o aumento no ICMS. Com a justificativa de equilibrar o caixa na crise econômica provocada pela Covid-19, o governo Doria comprou briga com setores produtivos ao cortar benefícios fiscais. Pressionado, voltou atrás em relação a alimentos e medicamentos genéricos, mas ainda trava batalha, inclusive na Justiça, com agronegócio, hospitais, farmacêuticas e revendedores de automóveis, entre outros. Outros dois recuos acabaram expondo a gestão Doria. O governador teve que repor o corte de R$ 454 milhões na verba da Fapesp (fundação de apoio a pesquisas) e pediu desculpas pela viagem aos Estados Unidos em meio à pandemia após voltar às pressas. As medidas não caíram bem para um político que adotou o discurso de defender a ciência e o isolamento social. Doria ainda comprou briga com idosos pela retirada da gratuidade no metrô para quem tem de 60 a 64 anos, com prefeitos pela fase vermelha decretada no fim do ano e com pessoas com deficiência pelo corte nas isenções de IPVA —insatisfação revelada pela senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP) em entrevista à Folha. O governador também foi alvo de protestos neste mês. Produtores rurais organizaram um tratoraço contra a cobrança de ICMS em insumos em dezenas de cidades do interior, e a doação de cestas básicas na Ceagesp, reduto bolsonarista, também se tornou palco de manifestação contra a tributação. Comerciantes de automóveis também saíram em carreata contra o governador. O setor afirma que há 300 mil empregos em jogo. Apesar dos reveses, a avaliação geral, mesmo entre opositores de Doria, é a de que o saldo político é positivo para o governador. Ou seja, ficou claro para a população que o governo federal está a reboque do tucano na vacinação.

 

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