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Brasil Energia

Apenas 3,5% da nova frota no Brasil em 2030 será eletrificada

Publicado em 14 novembro 2019

Biocombustíveis são viáveis no Brasil como alternativa complementar à eletrificação, diz consultor da SAE Brasil

Somente 3,5% dos veículos leves licenciados no Brasil em 2030 terão motores híbridos ou elétricos, de acordo com projeção da EPE. Entretanto, os bicombustíveis são viáveis no Brasil como alternativa complementar à eletrificação, afirma Eduardo Tomanik, consultor independente e membro da comissão técnica de motores ciclo Otto da SAE Brasil.

O benefício de apostar em um mix de tecnologias é justificado pela enorme vantagem comparativa que o Brasil tem no setor de biocombustíveis: é o segundo maior produtor mundial de etanol (34,2 bilhões de litros) e de biodiesel (5,4 bilhões de litros), atrás apenas dos Estados Unidos, com produção de 60,8 bilhões de litros e 7,0 bilhões de litros, respectivamente, em 2018.

O Brasil tem caminhado no sentido de ampliar o consumo de renováveis no setor de transporte, cuja participação em 2018 foi de 23% e deve chegar a 29% em 2028, com os incentivos da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), conforme dados da EPE. A descarbonização da matriz elétrica brasileira passa pelo consumo de combustíveis do setor de transporte: no mesmo período, a oferta interna das renováveis no mix de energia deve passar de 45% a 48%.

De acordo com o PDE 2029 da EPE, o setor de transportes se manterá líder no ranking dos setores consumidores de energia, com 33% de participação, com destaque para o segmento de transporte rodoviário.

A demanda total de energia do setor de transportes aumentará, em média, 2,4% a.a. entre 2019 e 2029, chegando a aproximadamente 110 milhões de toneladas equivalentes de petróleo, dos quais 55,2 milhões tep de etanol hidratado – partindo do nível atual de 41,4 milhões tep.

Renovabio

O entusiasmo encontra amparo também no poder público, considerando que Renovabio proporcionará ao Brasil nos próximos dez anos um ganho de R$ 1,2 trilhão, entre investimentos e economia, afirmou o diretor de biocombustíveis do MME, Miguel Ivan Lacerda, durante audiência realizada na quarta-feira (06/11) na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado.

Na audiência, foi apresentado pela bioquímica Glaucia Mendes, da Fapesp, um estudo publicado na revista científica britânica Nature demonstrando que o etanol brasileiro tem potencial para, até 2045, substituir 13% do consumo de petróleo em todo o mundo, além de poder contribuir com uma queda de 5,6% nas emissões de carbono mundialmente, no mesmo período.

De acordo com Lacerda, o uso de etanol e biodiesel nos próximos 10 anos proporcionará ganhos ambientais equivalentes ao plantio de 5 bilhões de árvores, quantidade superior à existente hoje na Inglaterra, Irlanda, Holanda, Suíça, Dinamarca e Bélgica somadas.

Sobre o cenário para a eletrificação da frota no Brasil nos próximos anos, Tomanik acredita que a tendência estará mais presente nos veículos compactos, até atingir os mais pesados. Apesar dos incentivos fiscais, explica, o custo de aquisição dos híbridos ainda é cerca de 40% mais alto que o dos modelos equivalentes, conforme dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

O consultor cita o lançamento recente por aqui do Golf GTI híbrido, versão com perfil mais esportivo deste veículo da Volkswagen, atingindo público específico que poderia não se sentir tão atraído pelas versões mais conservadoras de modelos presentes em solo nacional, como o pioneiro Prius e o Corolla (que também teve a versão híbrida recém-lançada no país), ambos da Toyota.

Em apresentação oficial do evento, Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia (IEA), conclui: “Os carros elétricos serão parte da solução, mas não a solução completa. O futuro nos reserva uma combinação de motores mais eficientes, veículos elétricos e biocombustíveis”.