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Periferia em Movimento

Apenas 06 famílias controlam 77% dos busões de São Paulo

Publicado em 23 setembro 2019

Por Periferia em Movimento

Em meio à proposta da diminuição de veículos nas ruas pela Prefeitura paulistana e a “greve surpresa” promovida por trabalhadores do setor no último dia 05 de setembro, uma pesquisa desenvolvida no Centro de Estudos da Metrópole (CEM-Cepid/Fapesp) mostra que grande parcela do mercado de ônibus coletivos em São Paulo é controlada por 06 grupos de proprietários e famílias desde pelo menos a década de 1980.

O pesquisador Marcos Vinícius Lopes Campos identificou que um grupo de 06 proprietários dos mais antigos detinha 46,92% do mercado em 1997; em 2015, passaram a ter 77,2% do mercado. Desse total, 42,15% estão concentrados em empresas do Grupo Ruas, da família do empresário José Ruas Vaz: VIP, Via Sul (hoje Via Sudeste Transportes Urbanos), Viação Campo Belo, Expandir (hoje Viação Metrópole Paulista), e Viação Cidade Dutra (que hoje integra a Viação Grajaú, mais conhecida como Bola Branca). O restante se divide entre os grupos Belarmino Marta, Tupi, Gatusa e Santa Brígida. Todos estão atuando pelo menos desde os anos 1980.

“Nem todos esses proprietários têm estratégia de expansão de mercado, apesar de terem conseguido sobreviver a todo o período e às mudanças”, ressalta o pesquisador, que investiga os processos de constituição e transformação do mercado de empresas privadas operadoras de ônibus nas últimas 04 décadas. O estudo não abordou o resultado da licitação feita pela Prefeitura em 2019.

Concentração também entre permissionários

A pesquisa aponta uma série de mudanças no sistema. Em 1992, o sistema foi municipalizado; em 1995, a Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC) foi privatizada; nesse meio tempo, surgiram as “lotações”, incorporadas em 2002 como permissionários.

Porém, mesmo com a entrada das antigas cooperativas, houve um processo de concentração. “Ou seja, hoje observamos a existência de dois grandes oligopólios, resultando em maior concentração de capital”, explica Campos no artigo “Os ‘altos círculos’ no mercado de transportesde São Paulo”, publicado na Revista Brasileira de Gestão Urbana (URBE).

O trabalho demonstra também que uma tendência similar é encontrada entre os novos atores, os antigos cooperados. Uma mínima parcela entre antigos operadores tornou-se proprietário de grandes empresas, demonstrando a existência de um processo abrupto de constituição de um segundo oligopólio no setor.

Com informações do Centro de Estudos da Metrópole