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Revista Analytica online

Aparelho Evita Contaminação de Alimentos em Indústrias

Publicado em 23 junho 2021

Pesquisadores do Instituto de Química (IQ) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara (SP), desenvolveram um equipamento portátil inédito para evitar a contaminação de alimentos em tanques industriais que armazenam, por exemplo, leite e sucos.

O desenvolvimento tecnológico do produto tem financiamento da FAPESP , por meio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), e conta com parceria da empresa Soudap Soldas Sanitárias Ltda.

O aparelho é capaz de analisar áreas microscópicas da estrutura e prever se determinadas regiões, principalmente aquelas onde foram realizadas soldagens, estão suscetíveis à corrosão, o que poderia abrir caminho para o enferrujamento do material e o crescimento de bactérias. Avaliando antecipadamente a chance de um incidente como esse ocorrer, as empresas podem realizar manutenções preventivas, evitando prejuízos oriundos da possível perda do produto ou do conserto dos tanques comprometidos.

“Nós podemos utilizar o equipamento tanto no momento em que os tanques estão sendo construídos, para avaliar se as soldas foram feitas de maneira adequada, como na estrutura já pronta e em funcionamento, realizando inspeções de controle de qualidade para analisar se há necessidade de algum reparo. Caso seja preciso, nós conseguimos saber ainda se aquele material ficou mais ou menos resistente à corrosão após a solda ou o tratamento químico pelo qual ele tenha passado. Ou seja, é possível avaliar se naquele ponto em que foi feito o reparo teve um aumento na proteção contra corrosão e, em alguns casos, até prever seu tempo de vida [durabilidade]”, explica o professor da Unesp Assis Vicente Benedetti , um dos criadores do aparelho, em entrevista para a Assessoria de Comunicação do IQ-Unesp.

Segundo o especialista, atualmente não há normas que regularizem ou obriguem as indústrias a realizar esse tipo de avaliação nas regiões soldadas, o que faz com que as empresas, como forma de evitar gastos, não se preocupem em executar essas inspeções. Hoje em dia as normas exigem apenas uma comprovação de resistência mecânica dos tanques, mas esse dado não evita que as corrosões aconteçam.

Por isso, com a tecnologia, os cientistas esperam promover uma mudança de paradigma no setor, que pode beneficiar os proprietários das empresas.

Como funciona?

O equipamento é uma microcélula eletroquímica portátil, dispositivo composto por um conjunto de sensores conectado a um aparelho eletrônico capaz de medir a corrente elétrica que passa pelo circuito e controlar seu potencial elétrico, que é a capacidade que um corpo energizado tem de atrair ou repelir outras cargas elétricas. A microcélula possui em sua extremidade um tubo com espessura semelhante à de um fio de cabelo por onde passa uma solução de cloreto de sódio que molha a microrregião em análise. Com isso, acelera-se a corrosão do material a fim de avaliar seu desempenho.

Para utilizar o dispositivo portátil nos tanques industriais, basta acoplá-lo na base ou nas paredes da estrutura do tanque, posicionando-o na região de interesse, e rodar o ensaio.

Durante a pesquisa, o equipamento foi testado para avaliar a qualidade das soldas e do material utilizado na construção de tanques da Citrosuco nos municípios paulistas de Matão, Catanduva e Santos. Com 21 metros de diâmetro e 32 metros de altura, cada tanque tinha capacidade para armazenar mais de 9 milhões de litros de suco de laranja.

Além de comprovar a capacidade da microcélula eletroquímica portátil em obter informações de forma precisa das regiões que receberam solda, os resultados indicaram os pontos mais suscetíveis à corrosão, que foram as áreas de fusão das juntas soldadas. O aparelho também pode ser utilizado para a avaliação de tanques que guardam outros tipos de produtos, como farmacêuticos, cosméticos, compostos químicos, combustíveis, entre outros.

O novo dispositivo, que tem custo aproximado de R$ 5 mil, já está sendo utilizado no mercado pela Soudap, que tem sede em Araraquara.

Fonte: FAPESP