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Aos 85 anos, arquiteto Jorge Wilheim morre em São Paulo

Publicado em 15 fevereiro 2014

Por Rodrigo Louzas

Aos 85 anos, o arquiteto italiano, radicado no Brasil, Jorge Wilheim faleceu nesta sexta-feira (14), em São Paulo após complicações de saúde em decorrência de um acidente de automóvel ocorrido há cerca de dois meses.

Wilheim nasceu em 1928, na cidade italiana de Trieste e aos 12 anos mudou com a família para o Brasil. Graduou-se arquiteto em 1952 pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Em 1985, o arquiteto se tornou presidente da Fundação Bienal de São Paulo. Em 1994, assumiu o cargo de secretário-geral adjunto da Conferência Mundial Habitat 2. Wilheim também atuou na política, sendo secretário de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo, de 1975 a 1979.

Entre os projetos criados pelo arquiteto estão a sede do Clube Hebraica (1961), o TAIB - Teatro de Arte Israelita-Brasileiro (1961), o Pavilhão de Exposições, o Palácio das Convenções e um hotel do Parque Anhembi (1969), o Serviço Social das Indústrias (Sesi) - Vila Leopoldina (1974), a sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (1975), o centro de diagnósticos do Hospital Albert Einstein (1978/85), a Galeria Ouro Fino e o Shopping Center 3 (1961).

Como urbanista, concebeu, em 1954, o projeto urbanístico da cidade de Angélica, no Mato Grosso do Sul, para 15 mil habitantes. Participou também, em 1957, do concurso do ante-projeto de Plano Diretor de Brasília. Já em 1974, elaborou, a convite da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), o projeto de reurbanização do Pátio do Colégio. Em 1981, associado a Rosa Kliass e Jamil Kfouri, vence o concurso para a reurbanização do vale do Anhangabaú, construído e inaugurado dez anos mais tarde. Em 1997, por sua vez, criou a Cidade Industrial de Londrina, no Paraná.

Foi autor, dentre outros, dos livros São Paulo Metrópole 65 (1968), O substantivo e o adjetivo (1976), Tênue esperança no vasto caos: questões do proto-renascimento do Século 21 (2001) e A obra pública de Jorge Wilheim (2003).

Por trabalhos profissionais, recebeu os prêmios "Tarsila do Amaral" (1956), "Governador do Estado" (1964), "IAB de Urbanismo" (1965 e 67), "IAB para Ensaio" (1965 e 67), "Pensador de Cidades Luiz Antonio Pompéia" (2010) e a Ordem do Mérito de Brasília (1985).

Sobre o falecimento, o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), Haroldo Pinheiro, se posicionou, em nota.

"Perdemos um grande arquiteto, urbanista e humanista, um dos destacados signatários do abaixo-assinado de 2003 em defesa da criação do CAU. Ele é muito conhecido como urbanista, com justa razão, mas era também um arquiteto talentoso e precoce. No primeiro ano em que se formou, ganhou o concurso de arquitetura para a construção da Santa Casa de Jaú. Como urbanista, foi responsável por planos diretores emblemáticos, como o de Curitiba, e o primeiro Plano Diretor Estratégico de São Paulo elaborado no período da redemocratização do País, com intenso debate e preocupação social. Não se deixava seduzir por sonhos, era muito pragmático e nisso teve uma conduta firme pela valorização da escala humana no projeto, o indivíduo como elemento central do lugar, o que está bem refletido na reurbanização do vale do Anhangabaú, que projetou com Rosa Kliass. Seus livros e ensaios tem um valor não apenas técnico ou social, mas de qualidade literária. Como homem público era um conciliador, seu talento pairaria sobre questões político-partidárias, tanto que ocupou cargos em gestões de diferentes governos. Um valor que a ONU soube reconhecer, ao nomea-lo secretário adjunto da Habitat II, realizada em Istambul, trabalho que teve continuidade com a responsabilidade de reestruturação do próprio organismo. O que dá uma dimensão internacional ao impacto de seu falecimento. Nossa comunidade empobreceu".

Leia mais:

Veja texto escrito por Jorge Wilheim em agosto de 2005 para a revista AU sobre as cidades

Do Portal PINIweb