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Terra da Gente

Ao menos 70% das espécies da Terra são desconhecidas

Publicado em 26 fevereiro 2013

Embora o conhecimento sobre a biodiversidade do planeta ainda esteja muito fragmentado, estima-se que já tenham sido descritos aproximadamente 1,75 milhão de espécies diferentes de seres vivos, incluindo-se microrganismos, plantas e animais. O número pode impressionar os desavisados, mas especialistas afirmam que esse dado se refere à apenas 30% das formas de vida existentes na Terra.

Thomas Lewinsohn, professor do Departamento de Biologia Animal da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) abriu o Ciclo de Conferências 2013, organizado pelo programa Biota-Fapesp, com o intuito de contribuir para o aperfeiçoamento do ensino de ciência. Ele afirmou que "estima-se que existam outros 12 milhões de espécies ainda por serem descobertas".

Lewinsohn avalia que só para descrever todas as espécies que provavelmente existam no Brasil seriam necessários cerca de 2 mil anos. "Para descrever todas as espécies do mundo o número seria parecido. Mas não temos esse tempo", disse.

Algumas técnicas recentes de taxonomia molecular, como código de barras de DNA, podem ajudar a acelerar o trabalho, porém são métodos caros. Um artigo publicado recentemente na revista Science apontou que seriam necessários de US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão por ano, durante 50 anos, para descrever a maioria das espécies do planeta.

Detalhe: de acordo com Lewinsohn, esse montante corresponde ao que se gasta no mundo com armamento em apenas cinco dias. "Somente em 2011 foram gastos US$ 1,7 trilhão com a compra de armas. É preciso colocar as coisas em perspectiva", defendeu.

Muitas dessas espécies desconhecidas, porém, podem desaparecer do planeta antes mesmo que o homem tenha tempo e dinheiro suficiente para estudá-las. Segundo dados apresentados por Jean Paul Metzger, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), mais de 50% da superfície terrestre já foi transformada pelo homem.

Essa alteração na paisagem tem muitas consequências e Metzger abordou duas delas na segunda apresentação do dia: a perda de habitat e a fragmentação. "São conceitos diferentes, que muitas vezes se confundem. Fragmentação é a subdivisão de um habitat e pode não ocorrer quando o processo de degradação ocorre nas bordas da mata. Já a construção de uma estrada, por exemplo, cria fragmentos isolados dentro do habitat", explicou.

Para Metzger, a fragmentação é a principal ameaça à biodiversidade, pois altera o equilíbrio entre os processos naturais de extinção de espécies e de colonização. Quanto menor e mais isolado é o fragmento, maior é a taxa de extinção e menor é a de colonização.

"Cada espécie tem uma quantidade mínima de habitat que precisa para sobreviver e se reproduzir. Não conhecemos bem esses limiares de extinção", alertou.

Metzger acredita que esse limiar pode variar de acordo com a configuração da paisagem. Ou seja, quanto mais fragmentado estiver o habitat, maior o risco de extinção de espécies. Como exemplo, ele citou as áreas remanescentes de Mata Atlântica do Estado de São Paulo, onde 95% dos fragmentos têm menos de 100 hectares.

Ao longo dos 13 anos de existência do Biota-Fapesp, a definição de áreas prioritárias de conservação e de recuperação no Estado de São Paulo foi uma das principais preocupações dos pesquisadores.

Terra da Gente, com info Agência Fapesp