A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou um comunicado, relacionado à aprovação de uma clínica inicial de tratamento que treina as células de defesa do corpo humano para combater de maneira mais eficaz os cânceres hematológicos, em particular , a leucemia linfoide aguda B e o linfoma não Hodgkin B. Essa inovação terapêutica é uma colaboração entre a Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto (Fundherp) e o Instituto Butantan e utiliza as células CAR-T.
A sigla CAR-T se refere aos “receptores quiméricos de antígenos de células T”. As células são naturalmente responsáveis por atacar e eliminar células cancerosas, além de carregar outras células do sistema imunológico para auxiliar nesse processo.
No entanto, para melhorar esse mecanismo de defesa, as células do paciente são coletadas e, após modificações genéticas, são reintroduzidas no organismo. O processo de treinamento envolve o uso de um vírus como veículo para entregar genes de interesse às células T do paciente, resultando na modificação genética desejada.
Aprovação Realizada pela Anvisa
Essa aprovação pela Anvisa faz parte de um projeto mais amplo que pretende tornar essas terapias disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). A Fundherp e o Instituto Butantan foram selecionados por meio de um edital, e a agência reguladora pretende monitorar o desenvolvimento desse tratamento até 2024. Se os resultados forem positivos, a intenção é registrar o produto rapidamente para disponibilizá-lo no SUS, oferecendo uma opção de tratamento segura, eficaz e de alta qualidade.
Desde 2020, o Brasil já registrou três produtos de terapias do tipo CAR-T, direcionados ao tratamento de leucemias, linfomas e mielomas, bem como dois registros para o tratamento de doenças genéticas raras. Além disso, atualmente, mais de 40 ensaios clínicos relacionados às terapias avançadas, como a terapia CAR-T, estão em andamento no país.
O primeiro teste nacional dessa terapia ocorreu em 2019 na Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, com resultados bons. O paciente, Vamberto Luiz de Castro, 62 anos, que sofria de linfoma não Hodgkin de células B e estava em estado terminal, apresentou uma melhora após o tratamento. No entanto, infelizmente, ele faleceu após um acidente doméstico, não relacionado ao tratamento em si.
A terapia CAR-T é uma técnica inovadora que utiliza células do sistema imunológico do próprio paciente para atacar células cancerosas. Essas células são geneticamente modificadas para torná-las mais específicas na identificação e destruição das células tumorais.
Essa abordagem, derivada das pesquisas em terapia celular iniciada na década de 1950, envolve o “transplante” do sistema imunológico modificado para melhorar a resposta imunológica contra o câncer. As células CAR-T também carregam informações sobre os alvos a serem atacados, tornando-as altamente direcionadas.
Atualmente, a terapia CAR-T tem obtido sucesso no tratamento de cânceres do sistema sanguíneo, como linfomas, leucemias e mielomas. No entanto, ainda não há comprovação de eficácia contra tumores sólidos, para as quais outras formas de tratamento, como quimioterapia, radioterapia e imunoterapia, tendem a ser mais eficazes.