O Brasil está prestes a dar um passo histórico no combate à dengue: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu parecer favorável à segurança e eficácia da primeira vacina 100% nacional contra a doença, desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante tetravalente, aplicado em dose única, pode ser incorporado ao SUS a partir de 2026, ampliando o acesso da população à proteção contra os quatro sorotipos do vírus.
A Anvisa) assinou nesta quarta-feira (26) um Termo de Compromisso com o Butantan, etapa final antes do registro oficial da vacina. O documento prevê a continuidade dos estudos e o monitoramento ativo da segurança e eficácia do imunizante após sua introdução na população.
A análise técnica da Anvisa concluiu que o perfil benefício-risco da vacina Butantan-DV é favorável , especialmente diante do cenário epidemiológico brasileiro, onde a dengue segue como uma das principais ameaças à saúde pública.
A vacina desenvolvida pelo Butantan é tetravalente , ou seja, protege contra os quatro sorotipos do vírus da dengue, e será aplicada em dose única . A tecnologia utilizada é a de vírus vivo atenuado , já consolidada em outras vacinas do Programa Nacional de Imunizações (PNI).
A indicação inicial aprovada pela Anvisa é para pessoas entre 12 e 59 anos de idade , mas esse público-alvo pode ser ampliado futuramente, conforme novos estudos apresentados pelo Instituto.
Segundo dados publicados na revista The Lancet Infectious Diseases , a vacina apresentou:
Os estudos clínicos envolveram mais de 16 mil voluntários . As reações adversas foram, em sua maioria, leves a moderadas, como dor de cabeça, fadiga e erupções na pele. Eventos graves foram raros.
Com a etapa da Anvisa concluída, o Ministério da Saúde irá discutir na próxima semana a estratégia de vacinação com um comitê de especialistas e gestores do SUS. O objetivo é definir públicos prioritários e planejar a incorporação da vacina ao calendário nacional.
Segundo o ministro Alexandre Padilha, a expectativa é que o imunizante esteja integrado ao PNI já a partir do próximo ano, com ampliação gradual do acesso até 2026, conforme a capacidade produtiva do Butantan.
“A grande novidade é termos uma vacina 100% nacional, que permitirá uma estratégia de proteção em todo o país”, afirmou o ministro.
O desenvolvimento da vacina contou com forte apoio financeiro do BNDES . Em 2017, o Banco investiu R$ 97,2 milhões no projeto, por meio do Fundo Tecnológico (Funtec), para custear ensaios clínicos e ampliar a infraestrutura produtiva.
O investimento total no projeto foi de R$ 305,5 milhões , sendo 31% com recursos não reembolsáveis do Fundo. Além disso, o Instituto Butantan recebe mais de R$ 10 bilhões por ano em investimentos do Ministério da Saúde.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que a aprovação fortalece o SUS e simboliza o compromisso do país com a ciência e a inovação.
A vacina é fruto de cooperação estratégica entre Brasil e China , com parceria entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines , que ajudará a ampliar a capacidade de produção em larga escala.
Essa parceria inclui transferência de tecnologia e desenvolvimento conjunto, reforçando a autonomia brasileira na produção de imunizantes.
Mesmo com a queda de 75% nos casos em 2025 , em comparação com 2024, o Ministério da Saúde reforça que as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti devem continuar.
Até outubro de 2025, o Brasil registrou:
Os estados mais afetados em número de casos foram:
Apesar da redução, a vacinação é vista como fundamental para evitar novos surtos nos próximos anos.
Ricardo Villa Verde