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Anticorpo brasileiro na luta contra o câncer

Publicado em 22 julho 2015

Anticorpos monoclonais (mAbs, na sigla em inglês) são proteínas produzidas em laboratório por um único clone de linfócitos B um tipo de célula de defesa extraído de camundongos cujos sistemas imunológicos foram estimulados pelos antígenos de interesse.

Os anticorpos desenvolvidos e testados clinicamente pela Recepta, com apoio da FAPESP, são capazes de se ligar de maneira muito específica a alvos tumorais, não tendo efeito sobre tecidos sadios.

A Mersana detém a tecnologia para criar o chamado ADC (antibody-drug conjugate). Ou seja, eles usam um tipo de ligante para unir o anticorpo a uma toxina. Esse imunoconjugado entrega de maneira muito específica a toxina às células tumorais, explicou Jose Fernando Perez, presidente da Recepta e ex-diretor científico da FAPESP.

Segundo os termos da parceria, a Recepta oferecerá à Mersana os direitos mundiais exclusivos sobre seu anticorpo monoclonal e a empresa norte-americana usará sua tecnologia conhecida como Fleximer para desenvolver um imunoconjugado contra alvos tumorais.

Os termos financeiros do acordo estabelecem que a Recepta receberá pagamentos à vista e pagamentos subsequentes por marcos que venham a ser atingidos no desenvolvimento, na aprovação regulatória e na comercialização da droga, que juntos podem alcançar um total de U$ 86 milhões.

Além disso, a Recepta receberá royalties relativos à comercialização da droga pela Mersana fora do Brasil. A Recepta terá o direito exclusivo de comercialização da droga no Brasil pagando royalties à Mersana sobre as vendas no país. A Mersana será responsável pela realização de ensaios clínicos e dos registros regulatórios necessários para a comercialização da droga.

Esse é um evento único. Nunca na história da pesquisa em biotecnologia de fármacos no Brasil houve um licenciamento internacional de uma propriedade intelectual desenvolvida por empresa brasileira. Isso mostra que o modelo de pesquisa e desenvolvimento da Recepta funciona, comemorou Perez.

 

SOBRE A RECEPTA BIOFARMA

 

A RECEPTA Biopharma é uma empresa brasileira de biotecnologia dedicada à pesquisa e ao desenvolvimento de novos fármacos a serem utilizados no tratamento do câncer. A RECEPTA foi fundada em 2006, fruto de uma parceria de empresários brasileiros com o Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer (LCR), compartilhando a visão de que o Brasil oferece um conjunto significativo de vantagens competitivas para o desenvolvimento da biotecnologia voltada para saúde humana.

 

Os fármacos que a RECEPTA desenvolve são biomoléculas anticorpos monoclonais e peptídeos com a capacidade de reconhecer e de se ligar a alvos específicos em células de tumor, atuando diretamente sobre elas ou estimulando ações do sistema imunológico sobre essas células, o que inviabiliza sua sobrevivência e reprodução. Esse princípio de atuação caracteriza as chamadas terapias direcionadas, o foco de atuação da RECEPTA.

 

Anticorpos monoclonais e peptídeos vêm se afirmando como uma opção terapêutica cada vez mais importante no tratamento de diversos tipos de câncer, especialmente no controle e prevenção de metástases. Podem ser usados também como biomarcadores para fins de diagnóstico e prognóstico de progressão da doença e/ou resposta a tratamentos. Anticorpos monoclonais são proteínas, peptídeos são fragmentos de proteínas. A produção de anticorpos monoclonais se dá por um processo biotecnológico complexo que envolve engenharia genética ao passo que peptídeos são produzidos por meio de síntese química.

 

 

A RECEPTA, ao ser criada, obteve o licenciamento da propriedade intelectual de quatro anticorpos monoclonais que, em pesquisas realizadas pelo LCR, haviam demonstrado potencial para uso no tratamento de diversas neoplasias. Formou então uma excelente equipe de cientistas e técnicos que vêm se dedicando à realização de estudos pré-clínicos e clínicos desses anticorpos, bem como à descoberta e à geração de novos anticorpos e peptídeos. A colaboração com os pesquisadores do LCR garante à RECEPTA uma efetiva transferência de conhecimento científico e tecnológico, conferindo maior qualidade e validação de seus procedimentos.