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Jornal da Cidade (Bauru, SP) online

Antibióticos em excesso

Publicado em 27 fevereiro 2005

Tosse, resfriado, dor de garganta? Hora de tomar um antibiótico. Para muitos, esta tem sido a alternativa há tempos. Algo que se tornou tão rotineiro - e muitas vezes os próprios  médicos contribuem com a tendência - que tem levado  não apenas à automedicação, mas ao surgimento de tipos preferidos, como se tais medicamentos fossem meros doces ou refrigerantes.
"A necessidade de antibióticos para tratar resfriados simples é absolutamente zero. Para bronquite, menos de 10%. Gargantas inflamadas talvez precisem em 10% ou 15% dos casos", afirma o médico Jim Wilde, da Faculdade de Medicina  da Geórgia, nos Estados Unidos.
Wilde é o principal pesquisador de um projeto financiado  pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), que têm como objetivos investigar a extensão do uso indevido de antibióticos e educar especialistas em saúde e o público em geral sobre os problemas que esse exagero pode provocar.
"De 90% a 95% de todas as infecções são virais ou bacterianas simples, como no ouvido ou nos seios da face", informa. Mesmo assim, segundo o estudo, mais da metade dos  pacientes nos Estados Unidos costuma ingerir antibióticos de espectro antibacteriano para problemas causados por vírus, como gripe, resfriado ou bronquite.
"A guerra contra as bactérias está sendo perdida", alerta o pesquisador. Ele destaca que a proliferação de microorganismos resistentes aos antibióticos tem ocorrido em velocidade e freqüência muito superiores ao ritmo de produção de novos e mais potentes medicamentos. Wilde acredita que, se nenhuma medida for tomada, a maioria dos antibióticos pode se tornar inútil em 50 anos. (Agência FAPESP)