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Catraca Livre

Antibiótico pode ser esperança no tratamento do Parkinson

Publicado em 01 março 2017

Um estudo publicado na revista “Scientific Reports” sugere que o medicamento antibiótico doxiciclina --usado há mais de meio século contra infecções bacterianas-- pode ser indicado em doses mais baixas para o tratamento da doença de Parkinson.

Segundo os autores, a substância reduz a toxicidade de uma proteína conhecida como a-sinucleína, que em certas condições forma agregados que recobrem e lesam as células do sistema nervoso central. A morte dos neurônios dopaminérgicos (produtores do neurotransmissor dopamina) é o principal evento relacionado ao desenvolvimento de sintomas como tremores, lentidão de movimentos voluntários e rigidez, entre outros. Não há atualmente fármacos capazes de impedir que esse processo degenerativo progrida.

A pesquisa contou com apoio da Fapesp e a participação de três cientistas brasileiros vinculados à USP (Universidade de São Paulo): Elaine Del-Bel, da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP), Leandro R. S. Barbosa e Rosangela Itri, ambos do Instituto de Física (IF), na capital.

A descoberta ocorreu de forma fortuita, há cerca de cinco anos, quando Marcio Lazzarini, ex-aluno de Del-Bel, realizava o pós-doutorado no Max Planck Institute of Experimental Medicine, na Alemanha.

Para estudar possíveis alternativas terapêuticas contra o Parkinson em camundongos, o grupo recorreu, naquela época, a um modelo bastante consagrado para induzir nos animais uma condição semelhante à doença humana. O método consiste em administrar uma neurotoxina -- a 6-idroxidopamina (6-OHDA)-- que causa a morte dos neurônios dopaminérgicos.

O grupo repetiu o experimento e acrescentou um segundo grupo de animais que, em vez de receber a doxiciclina pela ração, foi tratado com injeções do antibiótico em doses baixas no peritônio.