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O Expresso

Antecipação da idade ao 1º parto: mais produção e mais animais para venda

Publicado em 12 dezembro 2011

A antecipação da idade ao primeiro parto, para 28 meses em média (o padrão nacional é superior a quatro anos), em novilhas mestiças de holandês e gir leiteiro (padrão girolando) aumentou o número de animais em produção e gerou maior renda na atividade leiteira. Este resultado foi obtido pela pesquisa no Polo Alta Mogiana/Apta Regional, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, e beneficia, principalmente, pequenos produtores das regiões Norte e Nordeste do Estado.

O trabalho de pesquisa com leite em Colina - iniciado em 2005/06 em parceria com o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), Polo Centro Leste/Apta Regional/SAA e universidades - dá ênfase à cria e recria de novilhas leiteiras mestiças a pasto, informa o pesquisador Ricardo Dias Signoretti.

"O produtor sempre deixa a fase de cria e recria para segundo plano, que é a fase de alto custo - representa de 20 a 25% do custo total da atividade leiteira." Trata-se de grande entrave no sistema de produção, diz ele. "Por isso, nós buscamos alternativas alimentares, através de suplementação a pasto na época das águas e da seca, sempre buscando antecipar a idade ao primeiro parto."

O objetivo do projeto é obter maior produtividade por área, melhorar a composição do leite e reduzir o custo por quilo de leite produzido. Na primeira fase do projeto, já concluída, a equipe de pesquisadores do Polo Regional conseguiu reduzir o uso de concentrado na dieta dos animais (e, em consequência, diminuir o custo do leite produzido) e aumentar a produtividade média (para cerca de 100 litros de leite por hectare/dia).

Em relação à melhoria da composição do leite, a pesquisa conseguiu aumentar o teor de gordura para níveis acima de 4%, o teor de proteínas para patamar acima de 3,3% e o teor de sólidos totais para acima de 13%. "Além disso, conseguimos melhorar a qualidade microbiológica do leite, reduzindo a contagem de células somáticas abaixo de 200 mil e a contagem bacteriana total abaixo de 20 mil", conta Ricardo. Isto resulta em melhor remuneração pelo pagamento do leite por qualidade, "atendendo com folga a Instrução Normativa 51 do Ministério da Agricultura, que é rigorosa em termos de Brasil".

Subprojetos

A exemplo das pesquisas em bovinos de corte, também no leite o projeto principal tem ramificação em vários subprojetos como, por exemplo, níveis de suplementação e composição do suplemento e adubação, sempre "tentando aumentar a produtividade por área", diz Ricardo.

Tanto que a taxa de lotação (número de animais por unidade de área) alcançada pela pesquisa está em torno de três animais por hectare (com maior desempenho do animal em si e maior ganho de peso por área), para a média nacional de abaixo de um animal por hectare. "Um dos resultados é que há mais animais excedentes para venda e maior pressão de seleção do rebanho (seleção dos animais superiores à média do rebanho), melhorando assim a produtividade."

Além de Ricardo, compõe a equipe os pesquisadores Flávio Dutra de Resende, Fernando Bergantini Miguel, José Vitor de Oliveira e Anita Schmidek, bem como técnicos de apoio à pesquisa e estudantes de curso técnico agrícola, de graduação em Zootecnia, Agronomia e Veterinária e alunos (e professores) de pós-graduação nas mesmas áreas.

Além de gerar e adaptar tecnologias inovadoras, a equipe de pesquisadores em pecuária de leite promove treinamento e capacitação de produtores, técnicos e estudantes, estes últimos potenciais agentes de transferência das tecnologias geradas.

Dia de campo nos moldes do setor privado

Uma das formas de transferência de tecnologias é o dia de campo, como o que foi realizado no dia 10 de novembro em Colina.

Foi uma demanda dos produtores, interessados em conhecer a utilização de cana forrageira na alimentação do gado, apresentada no encontro regional de setembro em Colina entre extensionistas da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) e pesquisadores da Apta Regional, ambos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.

O dia de campo, que reuniu cerca de 90 pessoas, foi composto de apresentação do pesquisador Gustavo Rezende Siqueira sobre a utilização da cana como recurso forrageiro para ruminantes, no auditório do Polo Regional Alta Mogiana, e de dinâmicas no campo (canavial, silagem de grãos úmidos e sistema de pastejo rotacionado irrigado).

Segundo o diretor da Apta Regional, Alceu de Arruda Veiga Filho, o evento representou uma forma inovadora de o Estado realizar dia de campo, nos moldes das empresas do setor privado.

Trata-se de interação direta entre pesquisadores, extensionistas e produtores, para discutir o assunto, tirar dúvidas e trocar experiências, constituindo-se de parte teórica e vivência de campo.