Notícia

A Folha (São Carlos, SP)

Ano Internacional da Biodiversidade tem como meta avaliar os resultados

Publicado em 12 janeiro 2010

A ocupação desordenada de áreas naturais, a exploração predatória de recursos da natureza e a poluição são algumas ações humanas que têm trazido sérias consequências, levando o planeta a perder cada vez mais espécies animais e vegetais.

Para chamar a atenção do público para o problema, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2010 o Ano Internacional da Biodiversidade. Um dos eventos que abrirá oficialmente o programa será realizado em Curitiba, nesta sexta- feira (8/1), com a presença de autoridades governamentais do Brasil e do exterior, representantes da ONU e pesquisadores.

A natureza é uma rede extremamente intrincada que precisa mantida para a vida existir. Porém, essa harmonia tem sido cada vez mais ameaçada, afirma Roberto Gomes de Sousa Berlinck, do Instituto de Química de São Carlos (USP) sobre a importância da coexistência das espécies.

Acima da extinção natural

De acordo com levantamentos da Convenção sobre a Diversidade Biológica (CBD), órgão da ONU que trata do problema, a taxa de perda de espécies chega a cem vezes à da e natural e vem crescendo exponencialmente.

Pensando em pelo menos diminuir esse ritmo, em 2002 a Conferência das Partes (COP) da CBD propôs uma série de metas a serem alcançadas até 2010 e obteve o comprometimento de vários países.

No Ano Internacional da Biodiversidade, o Biota-FAPESP estará envolvido de diversas outras formas, tanto no Brasil como no exterior. No dia 14 de janeiro, Joly representará o programa no evento nos 350 anos da Sociedade Real Britânica, no Reino Unido. Na celebração, o professor da Unicamp participará como debatedor em discussões sobre biodiversidade e no espaço reservado para pôsteres.

No período de 22 a 25 de fevereiro, o Biota-FAPESP participará da reunião da Rede de Observações da Biodiversidade (Geo Bon), nos Estados Unidos.

No mesmo mês, nos dias 25 e 26, o programa realizará, na sede da FAPESP, em São Paulo, o Workshop International on Metabolomics in the Context of Systems Biology: A Rational Approachto Search for Lead Molecules from Nature.

No dia 22 de maio, para comemorar o Dia Internacional da Biodiversidade, o Biota FAPESP realizará um evento com foco no Third Global Biodiversity Outlook, que terá a participação — do professor Thomas Lovejoy.

Lovejoy, presidente do Centro Heiz para Ciência, Eco nomia e Meio Ambiente e consultor chefe para biodiversidade do Banco Mundial, foi quem introduziu o termo diversidade biológica na comunidade científica em 1980. Em outubro, o Biota-FAPESP participará da COP1 0, em Nagoya, em dezembro, sediará um workshop de três dias para marcar o fim do Ano Internacional da Biodiversidade e o início do Ano Internacional das Florestas (2011).

Frustrações à vista

Nos moldes da Conferência das Nações Unidas sobre Mu danças Climáticas (COP15), que em dezembro, em Copenhague, na Dinamarca, fez um balanço dos compromissos assumidos no Protocolo de Quioto, a COP da biodiversidade tem um encontro marcado para outubro deste ano, na cidade japonesa de Nagoya, a fim de avaliar os resultados das ações assumidas em 2002 para preservara biodiversidade.

Como a reunião de Copenhague, a de Nagoya deverá ser igualmente frustrante. E o que pensa Berlinck, para quem a natureza tem dado sinais de que o problema continua crescendo. A morte de recifes de corais no mundo todo e o desaparecimento das abelhas na América do Norte são apenas duas das consequên cias da destruição de áreas nativas, disse.

Carlos Alfredo Joly, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas, concorda com o pessimismo. Precisamos este ano estipular metas mais confiáveis e usar indicadores mais mensuráveis, disse, ressaltando que considera os indicadores esco lhidos em 2002 um dos pontos fracos do acordo.

Natureza desconhecida

Outras informações sobre o Ano Internacional da Biodiversidade podem ser obtidos em www.cbd.int/2010 e, sobre o Biota-FAPESP, em www.biotafapesp.net.