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Animal não identificado ataca e mata 35 ovelhas no interior de SP

Publicado em 25 março 2013

Por Chico Siqueira

Pesquisadores da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) paralisaram pesquisa de cinco anos depois que um felino ainda não identificado matou 35 ovelhas na Fazenda Experimental onde as pesquisas eram realizadas, em Presidente Prudente, interior de São Paulo. Especialistas acreditam que as mortes possam ter sido motivadas por uma onça parda com filhotes.

Foram cinco ataques entre 19 de fevereiro e 19 de março deste ano, todos à noite. Por conta deles, os pesquisadores decidiram vender as ovelhas e paralisar as pesquisas. Nesta segunda-feira, eles entregaram os últimos 63 animais do rebanho que era usado em duas pesquisas, uma sobre a pastagem consumida e outra sobre a sanidade desses animais.

"Estou enterrando cinco anos de pesquisa", disse a zootecnista e pesquisadora da Apta, Andréia Luciane Moreira. Ela usava os animais na pesquisa "Avaliação de Pastagem no capim Panicun". Outro estudo, sobre verminose e parasitas das ovelhas, também era feito com o uso dos animais por um dos veterinários da Apta, que também avaliava o melhoramento genético das ovelhas.

Segundo Andreia, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) investiu R$ 106 mil na construção da infraestrutura, como os currais, para viabilizar as pesquisas. As 63 cabeças do rebanho foram vendidas em regime de urgência por R$ 50 mil.

No primeiro ataque, em 19 de fevereiro, foram mortos 11 animais; e no último, em 19 de março, nove. Segundo ela, durante os ataques, foram feitas tentativas de se evitar a aproximação do predador. Uma delas foi a mudança no manejo das ovelhas. "A gente passou a recolher os animais, que dormiam no campo, e a colocá-los nos currais, que também foram iluminados, mas mesmo assim, os ataques continuaram", contou ela.

Mas a medida permitiu aos pesquisadores filmarem um dos ataques, de um felino adulto, possivelmente uma onça parda, contra uma ovelha que estava no curral. Os pesquisadores e a Polícia Ambiental encontraram pegadas que seriam de um animal adulto e dois filhotes ou de dois adultos e um filhote. "O que a gente percebeu é que o predador ou predadores deixaram muita carne. Não sabemos, mas pode ser que eles estejam ensinando filhotes a se alimentar", diz.

O professor de zoologia Carlos Amargo Alberts, do campus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Assis (SP), disse que os felinos podem mesmo desperdiçar alimentos quando percebem abundância de caça.

Segundo ele, os ataques de felinos não são raros no interior de São Paulo, onde a legislação de proteção das reservas permanentes e das matas de propriedades rurais favoreceu o ambiente para melhor reprodução dos animais nos últimos 15 anos. E a preservação das matas permitiu que eles passassem a se locomover com mais facilidade. "Entretanto, o problema é que não houve, no mesmo ritmo, aumento das caças para esses animais, então eles passam a atacar os rebanhos produzidos pelo homem", diz.

Famílias têm medo

Outra preocupação é com a proximidade da Fazenda Experimental com a Cidade da Criança, um parque com uma grande mata, um pequeno zoológico, um parque aquático e brinquedos infantis, onde pais levam os filhos para se divertirem.

Alguns pais dizem que se preocupam que seus filhos sejam os novos alvos dos ataques. “Isso seria muito raro de acontecer, mas nunca podemos descartar”, diz Alberts. Segundo ele, é possível que, sem encontrar animais para caçar, os predadores possam atacar as espécies do zoológico e, numa hipótese bem rara, algum ser humano.

Direto de Araçatuba

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