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Animais de boa qualidade e geneticamente modificados para pesquisa em Imunologia

Publicado em 01 maio 1999

Por Ises A. Abrahamsohn
Durante o último Congresso da SBI, realizado em Salvador, pesquisadores de diversos Estados, motivados pela necessidade de usar camundongos KO e/ou transgênicos para experimentação, bem como de ter acesso animais de melhor qualidade sanitária e genética, reuniram-se informalmente para trocar informações e discutir possíveis estratégias para solucionar o fornecimento de camundongos para experimentação. Naquela ocasião, eu informei aos participantes da possível instalação de uma filial da firma Charles River em Campinas, São Paulo, para fornecimento de ratos e camundongos à comunidade científica. Esta informação me foi passada por um colega de Instituto, que tratou diretamente com a Charles River e que deu a entender também que a EAPESP teria participação no projeto. Entretanto, uma carta consulta da SBI ao diretor científico da FAPESP teve como resposta de que não há planos de associação da FAPESP com nenhuma entidade para a produção de animais. Eu consegui, junto à FAPESP os nomes de dois diretores da Charles River, aos quais tenho enviado correspondência indagando sobre os planos de instalação para o Brasil, até agora sem resposta. Em relação à FAPESP, nós temos nos defrontado nos últimos 3 anos com a sistemática recusa de receber projetos destinados à construção ou reforma de Biotérios de criação de animais. Entretanto, projetos destinados à melhoria de condições de biotérios de experimentação tem sido considerados e aprovados no bojo de projetos de melhoria de infraestrutura para pesquisa. Eu creio que tanto a disponibilidade de animais geneticamente modificados para experimentação, como a disponibilidade de animais isogênicos com qualidade genética e sanitária controladas, tem como ponto comum a necessidade de condições de biotério adequadas para expandi-los em condições SPF e obviamente ter estas mesmas condições ao utilizá-los nos experimentos. A menos que exista uma firma de onde se possam comprar os animais já em idade para experimentação, como ocorre fora do Brasil (por enquanto, isto parece que não vai acontecer) os grupos de pesquisa tem que batalhar para ter condições de biotério adequadas para realizar tanto a expansão como a experimentação de linhagens regulares ou de KO. O nosso Biotério não tem pessoal e infraestrutura para realizar rotineiramente os controles genéticos que seriam necessários para fornecimento regular de matrizes e, certamente, em vista da limitação de pessoal, espaço e custos, não podemos nos comprometer a aceitar ou fornecer matrizes de linhagens de KO diferentes daquelas de interesse para os docentes do Departamento. O biotério CEMIB da UNICAMP, pelas informações fornecidas, se dispõe também a fornecer apenas matrizes. Realisticamente, eu não vejo atualmente ou no futuro, um ou mesmo vários biotérios ligados a Universidades ou Departamentos em São Paulo com condições de criar animais de qualidade SPF, sejam WT ou KO, para fornecimento regular, de modo a suprir a demanda da comunidade para uso em pesquisa. O possível seria o fornecimento de matrizes de KO já existentes, introduzidas no Biotério pelos pesquisadores afiliados, para que outros grupos de pesquisadores interessados, por si próprios expandissem controlassem geneticamente os animais, também acho difícil que um Biotério Departamental ou Institucional se comprometa a importar ou receber, expandir e controlar matrizes de animais de interesse de outros pesquisadores, porém que não teriam interesse para os pesquisadores da própria Instituição. Talvez a UNICAMP pudesse fazer isso, mediante contrato. A diversidade de KO é tão grande, que seria difícil atender a todos os interesses específicos com um banco de matrizes da própria Instituição. Portanto, volta-se à situação que, se um pesquisador dispõe de um biotério bom e necessita de um determinado KO, poderá importar as matrizes ou consegui-las com algum colega no estrangeiro, ou se tiver sorte, aqui no Brasil, mas terá que expandi-las ele mesmo e controlar a genética (por PCR, com os respectivos primers) e as condições sanitárias. Enfim, eu acho que o fundamental é lutar por biotérios decentes com condições SPF, e disponibilidade de microisoladores para criação e expansão de camundongos regulares e KO e para conduzir os experimentos. Acho que a luta deve ser centrada na obtenção de financiamento e investimento para reforma e instalação de biotérios de médio porte com condições de manejo SPF, que atendam as necessidades dos grupos de pesquisa em Imunologia. O resto é possível arranjar-se. Os Departamentos ou grupos de pesquisa unidos, com apoio da SBI, podem exercer pressão junto às agências financiadoras para que sejam abertas linhas de financiamento destinadas à adequação dos biotérios. Afinal, a produção científica da Imunologia brasileira tem crescido e se destacado nos últimos anos como uma parcela expressiva da produção científica nacional. Ises A. Abrahamsohn Prof. Assoc. Depto. Imunologia, ICB, USP