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Análise: Estudo aponta nó da atual política global sobre drogas

Publicado em 12 agosto 2012

Por Fernanda Mena

Os primeiros comprimidos de ecstasy surgiram no Brasil nos anos 1990 associados à chamada cultura clubber -da música eletrônica, das festas e da diversidade sexual. Logo ganhou o sedutor slogan de "droga do amor".

Sob os efeitos de seu princípio ativo, o MDMA, o usuário tem o cérebro inundado de serotonina, neurotransmissor responsável pelas sensações de bem-estar e prazer.

A euforia e a percepção de comunhão consigo mesmo e com os outros dão lugar, passado o efeito, a uma leve depressão provocada pela baixa do mediador químico. O "ônus" do "bônus", dizem.

E assim o ecstasy se tornou a segunda droga mais consumida hoje, com até 25 milhões de usuários no mundo, de acordo com relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.

No Brasil não há dados atualizados sobre consumo de drogas. Mas sabe-se, por exemplo, que 3,6% dos jovens de 16 a 18 anos de escolas públicas das capitais do país já colocaram uma "bala" na boca uma vez na vida, embalados, ou não, por maratonas nas pistas.

É evidente, portanto, o mérito da pesquisa feita pela Superintendência da Polícia Técnico-Científica de São Paulo em parceria com a Fapesp. Ela responde a uma pergunta que precisava ser feita: o que há nos comprimidos que os brasileiros tomam?

O resultado -55,3% dos comprimidos de ecstasy não contêm MDMA- evidencia um nó da atual política global de drogas e aponta para a necessidade de uma campanha clara e honesta de prevenção de danos maiores.

Do ponto de vista político, num regime de ilegalidade, as drogas são relegadas a um mercado negro em que não existe controle de qualidade, apenas policial, num sistema que se prova falho.

Do ponto de vista dos danos, o ecstasy pode causar taquicardia, retenção urinária e, mais que tudo, desidratação profunda do corpo -principal causa de emergências médicas ligadas a seu uso.

A prevenção desse dano é básica: tomar água e fazer xixi. Só que pouca gente sabe.

Segundo estudo publicado na revista "Lancet" que mediu danos reais e potenciais das drogas a seus usuários e à sociedade, o ecstasy é menos nocivo que o álcool, a anfetamina e a maconha. Se for ecstasy mesmo, é claro.