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Análise de fósseis mostra que Homo erectus é mais velho que o estimado

Publicado em 12 março 2009

NANJING - O Homem de Pequim, como é mais conhecido o Homo erectus que viveu na região de Zhoukoudian, a 50 quilômetros ao sudoeste da capital chinesa, é mais velho do que se estimava. Segundo estudo realizado por cientistas chineses e norte- americanos, este antepassado teria pelo menos 200 mil anos a mais do que o estimado em estudos anteriores.

A conclusão vem da análise de fósseis encontrados em Zhoukoudian desde a década de 1920, quando sua presença foi descoberta pelo arqueólogo e geólogo sueco Johan Gunnar Andersson e colegas. Os primeiros fósseis de Homo erectus foram encontrados em Java, na Indonésia, em 1892, pelo antropólogo holandês Eugène Dubois. Foi Dubois que deu à espécie, conhecida popularmente como Homem de Java, o nome erectus, por conta da análise de ossos que indicou uma postura ereta. Inicialmente chamado de Pithecanthropus erectus, foi depois reclassificada para o gênero Homo.

Estima-se que o Homo erectus tenha se originado na África há cerca de 2 milhões de anos, emigrando do continente no início do Pleistoceno (período compreendido entre cerca de 1,8 milhão e 10 mil anos atrás). Foram encontrados fósseis da espécie também na Europa e no Vietnã.

O Homo erectus tinha crânio menor do que o Homo sapiens e media entre 1,45 metro e 1,80 metro. Andava com postura ereta e passos semelhantes ao do homem moderno. Usava ferramentas de pedra e usava fogo para se defender, se aquecer e cozinhar a caça.

A nova pesquisa indica que hominídeos sobreviveram na região durante glaciações e nos períodos intermediários aos eventos e tem importantes implicações sobre quando ocorreu a migração do gênero Homo pela Ásia.

No sítio arqueológico de Zhoukoudian foram encontrados ossos de pelo menos 50 indivíduos. Cientistas têm tentado datar os registros com exatidão há décadas, mas os métodos existentes para analisar depósitos em cavernas limitaram os resultados.

Guanjun Shen, da Universidade de Nanjing, e colegas usaram um novo e mais preciso método de datação, baseado no decaimento radioativo de isótopos de alumínio e de berílio em grãos de quartzo. A análise indicou que os fósseis têm cerca de 750 mil anos, ou 200 mil a mais do que as estimativas anteriores.

Até então, cientistas achavam que a presença do Homo erectus teria tido uma origem comum, de um grupo que se dispersou ao chegar à Ásia. O novo estudo aponta para a necessidade de uma revisão, por conta da grande diferença dos momentos em que a espécie chegou a cada região no continente.

O estudo foi publicado na revita Nature

As informações são da Agência Fapesp