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Revista Viva Saúde online

Análise da saliva é eficaz para detectar covid-19 em crianças sintomáticas

Publicado em 13 abril 2021

Resultado valida uma forma de testagem em larga escala muito mais simples e menos invasiva

A testagem molecular da saliva, como método eficiente para diagnóstico da COVID-19 em crianças sintomáticas, foi validada por pesquisadores do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT-USP), em colaboração com o Serviço Especial de Saúde de Araraquara (SP).O artigo a respeito encontra-se disponível na plataforma medRxiv, ainda sem revisão por pares.

"Obtivemos a mesma performance diagnóstica, com sensibilidade de aproximadamente 90%, para amostras de saliva e esfregaço [swab] de nasofaringe", disse o pesquisador Braz-Silva à Agência FAPESP.

No estudo, foram investigadas cinquenta crianças que procuraram atendimento em Unidade Básica de Saúde (UBS) com sintomas leves relacionados à COVID-19. Os pesquisadores coletaram amostras e secreção nasofaríngea e de saliva e submeteram ambas ao teste de RT-PCR, considerado padrão-ouro para o diagnóstico da doença. "Dez crianças apresentaram resultados positivos para o SARS-CoV-2. E o diagnóstico por amostras de saliva mostrou-se tão eficaz quanto o diagnóstico por esfregaço de nasofaringe", informou Braz-Silva.

E, o resultado valida uma forma de testagem em larga escala muito mais simples e menos invasiva - especialmente desejável no contexto pediátrico.

"O uso da saliva para diagnóstico da COVID-19 em crianças abre uma perspectiva de entendimento de como a circulação do SARS-CoV-2 se dá nessa faixa da população, ainda mais com a reabertura de escolas. A obtenção da amostra é tão simples que, dependendo da idade, pode inclusive ser adotada a autocoleta", comentou o pesquisador.

Testagem em massa

A testagem molecular em larga escala tem sido uma das estratégias mais bem-sucedidas no controle da pandemia, pois permite a identificação precoce de casos positivos e o rastreio da rede de contatos. Em adultos, a análise da saliva já havia apresentado uma sensibilidade variando de 80% a 100%. Mas ainda não havia um estudo que corroborasse tal procedimento em pediatria - o que foi proporcionado agora pela equipe do IMT-USP.