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Analgésicos fatais

Publicado em 04 agosto 2006

Por Agência FAPESP

Drogas opiáceas, usadas para o alívio de dores crônicas, estão envolvidas em mais mortes por overdose, nos EUA, do que a cocaína ou a heroína. A conclusão é de estudo feito por integrantes dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças.
De acordo com os pesquisadores, liderados por Leonard Paulozzi, a análise da tendência de mortes por envenenamento pelo uso de medicamentos demonstra uma epidemia no país. Ela teria começado na década de 1990.
Drogas opiáceas, ou simplesmente opiáceos, são substâncias derivadas do ópio que diminuem a dor e aumentam o sono. Por isso, também são conhecidas como narcóticos. Os opiáceos podem ser naturais, semi-sintéticos ou sintéticos.
Segundo os pesquisadores norte-americanos, nos últimos 15 anos, as vendas de analgésicos opióides aumentaram no país. A lista tem nomes como oxidona, hidrocodona, metadona e fentanila. Simultaneamente, cresceram o número de mortes pelo uso das drogas.
Em 2002, mais de 16 mil pessoas morreram nos EUA como resultado de overdoses. Os opióides ultrapassaram a cocaína e a heroína no número de mortes entre 1999 e 2002. A pesquisa foi publicada pela revista Pharmacoepidemiology and Drug Safety.
De acordo com os autores do estudo, a situação tem piorado consideravelmente. Entre 1979 e 1990, o número de mortes atribuídas ao envenenamento não intencional por drogas aumentou em média 5,3% ao ano. Entre 1990 e 2002, o aumento anual pulou para 18,1%.
Houve destacados aumentos no total de mortes por overdose de cocaína e de heroína, respectivamente 12,4% e 22,8% entre 1999 e 2002. Mas o papel dos opióides no total cresceu ainda mais no período: 92,2%.
Os pesquisadores destacam que o cenário tem como causa o uso recreacional dos opiáceos e não a utilização no tratamento de dores. Um exemplo do aumento desse uso está na elevada quantidade de analgésicos opióides roubada de farmácias no país. 
O artigo Increasing deaths from opioid analgesics in the United States, de Leonard J. Paulozzi, Daniel S. Budnitz e Yongli Xi, pode ser lido por assinantes no endereço http://www3.interscience.wiley.com/cgi-bin/jhome/5669