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Anabolizantes e treinamento físico intenso podem matar

Publicado em 08 outubro 2008

Pesquisa da Unicamp mostra que o consumo de esteróides anabolizantes associado à realização de exercícios físicos intensos resulta em deficiências do bombeamento cardíaco, aumento do colesterol ruim e alterações de comportamento

Uma pesquisa da Universidade de Campinas (Unicamp) divulgada nesta semana mostra que os efeitos maléficos da alta dosagem do anabolizante mais usado no Brasil e no mundo são piores do que se sabia. O estudo, feito com incentivo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), comprova que o uso de decanoato de nandrolona (cujo nome comercial é Deca-durabolin) combinado com exercícios intensos compromete a função dilatadora dos vasos sanguíneos e pode causar o aumento do coração e até a morte.

“Nossa pesquisa mostra que uma parcela do problema se deve ao anabolizante e, outra, ao treinamento intenso de força. Os dois fatores juntos amplificam os efeitos”, explica Fernanda Klein Marcondes, professora de Fisiologia da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) da Unicamp e coordenadora do estudo.

A pesquisa foi realizada em ratos, que foram divididos em quatro grupos. O primeiro fez treinamento de força, mas não ingeriu anabolizante. O segundo recebeu a substância, mas não efetuou exercícios físicos. O terceiro usou o anabolizante e fez treinamento físico e o quarto, o grupo controle, manteve-se sedentário e não recebeu o anabolizante. As cobaias forçadas a se exercitar foram colocadas em um tanque com um colete que pesava entre 50% e 70% do seu peso. Para respirar, eles precisavam nadar até a superfície. O procedimento era repetido quatro vezes ao dia.

No final do estudo, que durou seis anos, observou-se que todos os ratos – com exceção dos que ficaram no quarto grupo, o de controle – tiveram um aumento da parede do coração, tornando seu diâmetro interno menor. O efeito da atividade física intensa, que já era conhecido pela comunidade científica, não é prejudicial. No entanto, quando os exercícios vinham acompanhados do anabolizante, o músculo cardíaco aumentava de volume e gerava deficiência no bombeamento cardíaco. No Brasil, o uso de anabolizantes ocorre principalmente entre os jovens de 18 a 34 anos de idade. A possibilidade de comprá-lo em farmácias sem a necessidade de receitas médicas é um dos fatores para a sua disseminação.