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Amor e tragédia na Barcelona brasileira

Publicado em 04 fevereiro 2003

Barcelona brasileira é o novo romance do jornalista e professor universitário Adelto Gonçalves, lançado pela editora Publisher Brasil, de São Paulo (190 págs, R$ 28). O livro - definido pelo autor como "uma história verídica contada como se fosse ficção" - deve seu título à forma como a cidade de Santos era conhecida nos primeiros anos do século 20, em razão da forte influência anarquista espanhola nas organizações operárias. "É também uma história de amor e tragédia numa cidade à beira-mar", diz O livro abrange um período de repressão política na cidade, entre os anos de 1917 e 1922, uma época em que socialistas libertários e autoritários lutavam para assumir a liderança do movimento operário, e que coincide com a fundação do Partido Comunista do Brasil, de orientação marxista. "Santos já era o principal porto da América Latina, escoava para Europa e Estados Unidos a produção de café, base econômica da nação, e abrigava uma massa trabalhadora equivalente em número à de Buenos Aires", situa o autor. É uma historia verídica conta como se fosse ficção". LEITURA "Barcelona brasileira exerce fascínio desde o começo e, à medida que a leitura progride, avulta a sensação de que nos vamos embrenhando numa narrativa policial", diz no prefácio Massaud Moisés, professor titular da Universidade de São Paulo. "E a razão talvez esteja não só no estilo, límpido, fluente, inventivo e no domínio dos segredos da fabulação literária, como também o enfoque assumido pelo narrador: graças à sua imparcialidade, pôde distinguir os múltiplos ângulos do episódio histórico que tumultuou a vida de Santos às vésperas do centenário da Independência", acrescenta. OPINIÃO Dário Moreira de Castro Alves, ex-embaixador do Brasil em Portugal, autor de Era Lisboa e chovia (Rio de Janeiro, Nórdica, 1986) e especialista na obra de Eça de Queirós, diz, numa das orelhas do livro, que "o estilo de Adelto Gonçalves, forjado no dia-a-dia do jornalismo, é límpido, conciso, de adjetivos audaciosos e idéias insólitas". Para Castro Alves, Barcelona brasileira é um livro de "leitura contagiante em que realidade e ficção misturam-se, um autêntico roman à clef, que ressuscita várias personagens da história brasileira dos anos 1920". Doutor em Literatura Portuguesa e mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-Americana pela Universidade de São Paulo, Adelto Gonçalves, 51 anos, é também autor de Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), sua tese de doutoramento, biografia do poeta árcade Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810), que obteve em 2000 o Prêmio Ivan Lins de Ensaios da União Brasileira dos Escritores e da Academia Carioca de Letras. PRÓXIMO Com bolsa de estudos da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp), Gonçalves desenvolveu investigações em 1999-2000 em arquivos e bibliotecas de Portugal para escrever uma biografia do poeta Manuel Maria de Barbosa du Bocage (1765-1805), seu primeiro trabalho de pós-doutorado. O livro Bocage: o perfil perdido, está com publicação anunciada para o primeiro semestre de 2003 pela Editorial Caminho, de Lisboa, seguindo o mesmo destino de Barcelona brasileira, que foi lançado primeiro em Portugal, em 1999, pela editora Nova Arrancada, de Lisboa.