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Folha de S. Paulo - Vale (São José dos Campos)

Americano consegue foto de um exoplaneta

Publicado em 15 novembro 2008

As primeiras imagens feitas diretamente de planetas em órbita de uma estrela além do Sol acabam de ser divulgadas. A novidade está na edição de ontem da revista Science. Os registros dos exoplanetas são notáveis. Astrônomos costumam identificar planetas não diretamente, mas ao inferir sua presença, geralmente por meio da influência gravitacional que o corpo exerce sobre sua estrela.

Mas, agora, Christian Marois, do Instituto de Astrofísica Herzberg, do Conselho Nacional de Pesquisa do Canadá, e colegas conseguiram produzir imagens diretas, em infravermelho, de três planetas com a ajuda dos telescópios Keck e Gemini.

A estrela que eles orbitam, denominada HR 8799, é considerada uma estrela na seqüência principal, ou seja, no auge de sua existência, assim como o Sol. Alimentada por reações nucleares em seu núcleo, ela se encontra a 128 anos-luz da Terra. Os planetas são grandes em comparação com o Sistema Solar: têm massas entre cinco e 13 vezes a de Júpiter. O menor está mais próximo à estrela, e o maior, mais distante.

Segundo os autores do estudo, essa relação de tamanhos apóia um cenário no qual os planetas seriam formados por meio da acreção (aumento da massa por aglomeração) de partículas em um disco de gás e poeira que se movimenta em torno da estrela.

O sistema observado lembra uma versão em escala ampliada da região mais no extremo do Sistema Solar, de acordo com os pesquisadores, que estima que se a HR 8799 tivesse um brilho menor, como o do Sol, seus planetas estariam a distâncias similares às de Saturno, Urano e Netuno. Obter imagens diretas de planetas é um grande desafio, particularmente com o uso de telescópios terrestres, em observações borradas por conta da atmosfera de planetas distantes e obscurecidos nos brilhos de suas estrelas, disse Mark Marley, do Centro de Pesquisa Ames, da Nasa, a agência espacial norte-americana, em artigo na mesma edição em que comenta os registros inéditos.

As ferramentas exigidas para o registro direto de imagens incluem técnicas ópticas adaptativas, que corrijam a influência da atmosfera, e outras que possam bloquear a maior parte da luz, apontou. No outro artigo, Paul Kalas, do Departamento de Astronomia da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, e colegas usaram o telescópio espacial Hubble para conseguir registrar, dessa vez opticamente, um exoplaneta. O objeto está em órbita da estrela Fomalhaut, uma das mais brilhantes no céu sobre a Terra e a apenas (astronomicamente falando) 25 anos-luz da Terra.

Denominado Fomalhaut b, o planeta com massa estimada em um pouco maior do que a de Júpiter está em um grande cinturão de poeira. Segundo o estudo, o planeta pode ser o mais frio e com menor massa já identificado.

Os artigos Direct imaging of multiple planets orbiting the star HR 8799, de Christian Marois e outros, e Optical images of an exosolar planet 25 light-years from Earth, de Paul Kalas e outros, podem ser lidos por assinantes da Science em www.sciencemag.org. (Agência Fapesp)