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América Latina tem potencial maior de expansão da bioenergia, diz relatório

Publicado em 13 maio 2015

A bioenergia pode chegar a prover um quarto da energia mundial até 2050, reduzindo poluentes e a emissão de gases do efeito estufa e promovendo desenvolvimento sustentável, entre outros benefícios econômicos e sociais.

O conhecimento científico e tecnológico pelo qual esses potenciais podem ser desenvolvidos foi compilado no relatório internacional Bioenergy & Sustainability: bridging the gaps, uma iniciativa da Fapesp com o Comitê Científico para Problemas do Ambiente (Scope, na sigla em inglês), agência intergovernamental associada à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Esse trabalho representa o estado da arte da bioenergia, uma fronteira muito cara a São Paulo. O governador Geraldo Alckmin tem tratado o tema como de extrema importância para o futuro da agricultura, setor fundamental para o desenvolvimento econômico do estado. Todo esse conhecimento compilado precisa ser incorporado a políticas públicas e utilizado para orientar iniciativas privadas de empreendedorismo, colocando-se como referência para a cidadania ambiental de que precisamos, destaca o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim.

A publicação é resultado do trabalho de 137 especialistas de 24 países, recrutados em 82 instituições e coordenados por pesquisadores dos programas Fapesp de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade (BIOTA) e Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).

Além de ser considerada uma alternativa valiosa do ponto de vista da eficiência e da segurança, a bioenergia traz importantes contribuições no nível geopolítico por ser um recurso flexível e sustentável, contribuindo também para a mitigação das mudanças climáticas. Essas e outras vantagens da produção adequada de bioenergia são abordadas no relatório de forma aprofundada e cientificamente embasada, declarou Glaucia Mendes Souza, membro da coordenação do BIOEN e coeditora da publicação.

Expansão

De acordo com Luiz Augusto Horta Nogueira, da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), um dos editores associados e coautor de diversos capítulos do relatório, a América Latina e o Caribe apresentam excelentes condições para a produção de bioenergia.

Cerca de 360 milhões de hectares de terras aptas para a agricultura de sequeiro estão disponíveis na região, o que corresponde a 37% do total mundial e mais de três vezes a área necessária para atender às necessidades alimentares do mundo. Se geridos de forma adequada e com a adoção de processos eficientes, 20% dessa área poderia produzir anualmente 24 exajoules (EJ) de biocombustíveis líquidos, o equivalente a 11 milhões de barris de petróleo por dia, mais do que a produção atual dos Estados Unidos ou da Arábia Saudita.

Redação Jornal Exclusivo