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América Latina pode ter o maior potencial de bioenergia do mundo, diz estudo

Publicado em 21 abril 2015

Por Paulo Floro

A bioenergia pode chegar a prover um quarto da energia mundial até 2050, reduzindo poluentes e a emissão de gases do efeito estufa e promovendo desenvolvimento sustentável, entre outros benefícios econômicos e sociais.

O conhecimento científico e tecnológico pelo qual esses potenciais podem ser desenvolvidos foi compilado no relatório internacional Bioenergy & Sustainability: bridging the gaps, uma iniciativa da FAPESP com o Comitê Científico para Problemas do Ambiente (Scope, na sigla em inglês), agência intergovernamental associada à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Lançado na FAPESP na terça-feira, 14/04, durante mesa-redonda sobre Bioenergia e Sustentabilidade, o relatório deverá ser utilizado para subsidiar políticas do governo do Estado de São Paulo para o setor, disse Arnaldo Jardim, secretário estadual de Agricultura e Abastecimento.

Esse trabalho representa o estado da arte da bioenergia, uma fronteira muito cara a São Paulo. O governador Geraldo Alckmin tem tratado o tema como de extrema importância para o futuro da agricultura, setor fundamental para o desenvolvimento econômico do estado. Todo esse conhecimento compilado precisa ser incorporado a políticas públicas e utilizado para orientar iniciativas privadas de empreendedorismo, colocando-se como referência para a cidadania ambiental de que precisamos, declarou Jardim à Agência FAPESP.

A publicação é resultado do trabalho de 137 especialistas de 24 países, recrutados em 82 instituições e coordenados por pesquisadores dos programas FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade (BIOTA) e Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).

Além de ser considerada uma alternativa valiosa do ponto de vista da eficiência e da segurança, a bioenergia traz importantes contribuições no nível geopolítico por ser um recurso flexível e sustentável, contribuindo também para a mitigação das mudanças climáticas. Essas e outras vantagens da produção adequada de bioenergia são abordadas no relatório de forma aprofundada e cientificamente embasada, declarou Glaucia Mendes Souza, membro da coordenação do BIOEN e coeditora da publicação.

A orientação de políticas públicas que desenvolvam o setor da bioenergia de forma sustentável é um dos objetivos da FAPESP na iniciativa, declarou na ocasião Celso Lafer, presidente da Fundação. O fato de o trabalho ter sido coordenado por pesquisadores ligados a importantes programas da FAPESP evidencia a preocupação da instituição com o desenvolvimento sustentável e com a participação multidisciplinar da ciência na formulação de políticas públicas.

Jon Samseth, presidente do Scope, atribuiu a relevância do relatório para o desenvolvimento da bioenergia ao papel desempenhado pelo Brasil no setor e na comunidade científica internacional. O Brasil conta com as energias renováveis para suprir 41% das suas necessidades energéticas e com uma comunidade científica forte e cada vez mais relevante globalmente. Em torno dessa capacidade foi engajado um conjunto de especialistas de diversas áreas da ciência e regiões do mundo, resultando em um esforço sem precedentes para concentrar em uma única publicação todo o conhecimento disponível em bioenergia.

O desenvolvimento da iniciativa privada também não pode prescindir do conhecimento científico apresentado pelo relatório, declarou no simpósio de lançamento Elizabeth Farina, presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), que falou sobre a importância da bioenergia em curto prazo para a indústria, os biocombustíveis líquidos e a bioeletricidade.

Trata-se de um compêndio de informações cientificamente bem fundamentadas, essencial para que a indústria possa discutir uma agenda de políticas públicas e alternativas, especialmente considerando o compromisso global de reduzir a emissão de gases do efeito estufa. Além de produzir de maneira criativa e sustentável, o desenvolvimento da eficiência energética é um elemento importante para a competitividade da bioenergia, disse Farina. [Da Agência Fapesp]