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Câmara Municipal de São Paulo

Amélia Hamburger recebe medalha Anchieta

Publicado em 26 setembro 2011

 

A professora e doutora da Universidade de São Paulo (USP) Amélia Império Hamburger foi homenageada nesta segunda-feira “in memorian” com a Medalha Anchieta e o Diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo em sessão solene realizada na Câmara Municipal de São Paulo. A condecoração foi proposta pelo vereador Jamil Murad (PCdoB).

Além dos filhos, netos, amigos e colegas de trabalho, estiveram presentes ao evento o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente da Câmara, José Police Neto, os vereadores Floriano Pesaro (PSDB), Netinho de Paula (PCdoB) e Eliseu Gabriel (PSB), entre outros.

Muito emocionado, o esposo Ernst Hamburger recebeu das mãos do vereador Jamil Murad a condecoração e o diploma de gratidão, acompanhado de seus filhos e netos. “Tudo que foi dito aqui sobre a Amelinha foi muito bonito, muito tocante. Quero agradecer a todos. A homenagem é para Amélia, não é para mim, mas essa homenagem está dando lugar para o encontro de muitos velhos amigos. Neste sentido, além do significado social mais amplo, é uma satisfação muito grande, pessoal, para todos nós”, disse.

“Fui contemporâneo da Amélia, do Ernst, marido dela, e conheço bem os filhos dela. Éramos muito amigos. O lado que conheci da Amélia foi da solidariedade, da vida política. Ela era uma lutadora. Hoje, é muito fácil falar de democracia, mas na época da Ditadura, era uma proeza. Falar na abertura da SBPC nos anos de chumbo, como ela fez, era uma proeza. A Amélia era uma mulhe forte, mas que nunca perdeu o amor, o carinho e a integridade. Que saudades!", disse o ex-presidente Fernando Henrique.

Proponente da homenagem, o vereador Jamil Murad exaltou a luta da professora e doutora Amélia na luta pela liberdade e democracia. “A professora Amélia ficou 40 anos ajudando a construir a USP, formando pesquisadores e cientistas. Ela lutou a vida toda, até seus últimos dias, para ajudar a construir um Brasil soberano, de democracia, de progresso social para todos. Pessoas assim jamais podem ser esquecidas. Deste ponto de vista, ela é imortal”, disse.

“Reconhecer uma autoridade cientifica que lutou muito para que o povo tivesse acesso às informações é que faz com que o poder da ciência seja efetivamente compartilhado com muitos. E a presença do Fernando Henrique aqui é o maior símbolo disso, já que ele é um ativista político, mas que fazia da política uma boa ciência. É um orgulho para todos os paulistanos”, disse o presidente da Casa, José Police Neto.

Segundo o professor do Instituto de Física da USP, Silvio Salinas, colega da homenageada, Amélia teve uma participação político-científica muito importante. “Ela foi uma das fundadoras da Sociedade Brasileira de Física e atuou muito na Sociedade Brasileira para Progresso da Ciência.”

Fizeram parte da mesa, além do vereador Jamil Murad, o esposo da homenageada, Ernst Hamburger, o ex-presidente Fernando Henrique, a prima da homenageada Maria de Lourdes Andrade Homem de Melo, a doutora em psicologia pela USP Ana Maria Carvalho Almeida, o coordenador do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia do Governo Federal e ex-aluno da homenageada, Olival Freire Junior, o professor Sílvio Salinas, do Instituto de Física da USP, o historiador e escritor do Instituto de Estudos Avançados, Alfredo Bosi, e o presidente da Câmara, vereador José Police Neto.

Breve currículo
Amélia Império Hamburger nasceu em 12 de julho de 1932, em São Paulo, e participou ativamente da vida universitária e da pesquisa nas áreas de física nuclear e do estado sólido, história da física e da ciência, ensino de física e filosofia da ciência. Como professora da Universidade de São Paulo, contribuiu para o desenvolvimento da ciência e das entidades científicas da cidade e do Brasil. Faleceu aos 78 anos no último dia 1º de abril de 2011.

Formada em 1954 no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), fez mestrado na Universidade de Pittsburgh (1957/1959), onde trabalhou com física nuclear experimental no antigo acelerador ciclotron. Fez ainda estágio avançado (1965/1967) na Universidade Carnegie Mellon, também em Pittsburgh, onde publicou trabalho em física do estado sólido.

Amélia trabalhou também na preservação da memória científica. Organizou os arquivos históricos do Instituto de Física da USP e publicou dois livros sobre a história da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo: Fapesp 40 anos – Abrindo Fronteiras e Fapesp, uma história de política científica e tecnológica, em parceria com Shozo Motoyama e Marilda Nagamini. Ainda na área de história da ciência publicou A ciência e as relações Brasil-França 1850-1950, resultado de seu trabalho com o professor Michel Paty, da Universidade de Paris VII, onde foi pesquisadora visitante em 1988.

(26/09/2011 – 21h45)