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O Liberal (Americana, SP) online

Ameaças à Amazônia vão muito além das queimadas

Publicado em 23 setembro 2013

Além do desmatamento, a extração inadequada de madeira e o manejo inapropriado de recursos pesqueiros são ameaças à conservação da Amazônia. O alerta foi feito por Hélder Queiroz, pesquisador do IDSM (Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá), durante o sétimo encontro do Ciclo de Conferências 2013 do BIOTA-FAPESP Educação.

Esses fenômenos, contudo, são menos perceptíveis e não são facilmente detectáveis na paisagem por imagens aéreas, como são as próprias queimadas, por acontecerem no interior da floresta e fora do chamado "arco do desmatamento amazônico" (região de borda do bioma que corresponde ao sul e ao leste da Amazônia Legal e abrange todos os estados da região Norte, mais Mato Grosso e uma parte do Maranhão). Por isso, podem passar despercebidos e não merecer a mesma atenção recebida pelos desmatamentos pelos órgãos fiscalizadores.

A extração inadequada de madeira da Floresta Amazônica, por exemplo, pode alterar o número de espécies de animais que vivem em uma determinada área da selva. Isso porque, de acordo com o pesquisador, algumas espécies de árvore cuja madeira tem grande valor comercial também podem ser importantes para alimentação da fauna.

A retirada dessas espécies de árvore de forma desordenada pode alterar a composição florística e, consequentemente, de espécies de animais de uma área da floresta, ressaltou Queiroz. "A abertura de pequenas clareiras para remoção específica dessas espécies de madeira não é detectada pelas imagens de satélite porque, geralmente, elas têm poucos metros quadrados", disse Queiroz. "Ao final de três décadas, todas as espécies dessas árvores e, consequentemente, a fauna que dependia delas podem desaparecer da região", alertou.

Pesca e caça inadequadas

Outra ameaça que está se tornando um problema na Amazônia, de acordo com o pesquisador, é a pesca desordenada da piracatinga - espécie de peixe sem escama, apreciada para consumo, conhecida popularmente como "urubu dágua", por ser carnívora e se alimentar de restos de peixe e outros animais.

Para a pesca do peixe na região amazônica está sendo utilizada como isca a carne de jacaré e de boto cor-de-rosa. Por causa disso, o número de botos cor-de-rosa diminuiu em diversas regiões da Amazônia, conforme indicam dados de monitoramento da espécie na região da Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá fornecidos pelo Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia).

Já em terra, segundo o pesquisador, a caça desordenada de determinadas espécies de animais tem resultado no surgimento do que alguns autores denominaram no início da década de 1990 de "florestas vazias" - áreas de floresta em pé, mas nas quais as principais espécies de animais responsáveis pela reprodução, polinização e dispersão de sementes desaparecem em razão da caça desenfreada.

Em geral, a maior parte dessas ameaças "imperceptíveis" ocorre nas chamadas florestas alagadas ou de várzea - que representam quase um quarto de toda a extensão da Amazônia.

Da Redação

* Com informações da Agência FAPESP.