O desafio de preservar essas vidas ameaçadas é imenso. As medidas não são de fácil implementação, mas incluem a criação de áreas seguras, como unidades de conservação, e a transmigração de indivíduos.
O cenário está cada vez mais hostil para centenas de espécies da fauna e da flora no mundo. De acordo com um levantamento realizado por um grupo de 26 pesquisadores de 17 instituições do Brasil e de outros países, a eclosão de quatro fenômenos naturais extremos, terremotos, tsunamis, furacões e erupções vulcânicas, fez com que 3.722 espécies de vertebrados terrestres estejam colocadas em risco de extinção. Esse montante representa em torno de 11% desses vertebrados. Estão sob ameaça milhares de mamíferos, aves, répteis e anfíbios de população com poucos exemplares em idade reprodutiva e cuja distribuição geográfica abrange áreas historicamente sujeitas a esses eventos trágicos e devastadores. Entre as categorias de vertebrados, a situação mais crítica é a dos répteis, que inclui serpentes, lagartos, tartarugas e crocodilianos, com 834 espécies em estágio tendente à extinção. A seguir, aparecem os anfíbios (sapos, rãs e salamandras) com 617, aves (302) e mamíferos (248). No Brasil, o levantamento constatou que o perigo paira sobre o lagarto-da-areia e sobre a rã-grilo-de-barriga-vermelha.
O desafio de preservar essas vidas ameaçadas é imenso. Segundo especialistas, as medidas não são de fácil implementação, mas incluem a criação de áreas seguras, como unidades de conservação, e a transmigração de indivíduos, um trabalho hercúleo e necessário. Também não é possível esquecer fenômenos recorrentes no país, como é o caso dos incêndios no pantanal mato-grossense, quando toda a diversidade ambiental costuma ser muito destruída pelo fogo, causando prejuízos incalculáveis e danos irreversíveis para o meio ambiente.
Estamos diante de catástrofes nunca vistas e a condução da gestão dos recursos naturais tem se mostrado desastrosa para toda a humanidade. Ainda há tempo para reverter esse rumo, mas é preciso que os consensos sejam amplos e as ações imediatas. Infelizmente, as perspectivas não são boas, pois o resultado de fóruns e de cúpulas temáticas não tem ficado à altura das demandas coletivas pela preservação da natureza.
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