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Ambições no combate à pandemia

Publicado em 29 junho 2020

Por Fabrício Marques | Revista Pesquisa FAPESP

Governo brasileiro desbloqueia recursos para pesquisa sobre a covid-19, mas esforço em pesquisa e desenvolvimento fica muito aquém do de países centrais

O Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) deve divulgar no dia 29 de junho a lista final de projetos aprovados em um edital para apoiar pesquisas sobre a Covid-19, que prevê R$ 50 milhões em investimentos. Desse montante, há R$ 30 milhões em recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) para estudos sobre tratamentos, vacinas e testes de diagnóstico e sobre a patogênese da doença. Os outros R$ 20 milhões vêm do Ministério da Saúde para aplicação em projetos sobre prevenção e controle da doença e atenção à saúde. O balanço do edital mostra que a comunidade científica do país está mobilizada para gerar conhecimento sobre a doença e que os recursos oferecidos são pequenos diante da demanda. Foram apresentados 2.219 projetos. Se todos pudessem ser contemplados, seria necessário investir R$ 1,7 bilhão, 34 vezes mais do que o dinheiro disponível na chamada. Um comitê de avaliação recomendou preliminarmente a aprovação de 90 propostas, que abrangem temas como o uso de inteligência artificial na tomada de decisões médicas e o desenvolvimento de vacinas e novos testes diagnósticos. “Há projetos de grande qualidade que acabaram não sendo recomendados porque não produziriam resultados em tempo de atenuar os efeitos da pandemia”, diz o presidente do CNPq, o agrônomo e entomologista Evaldo Vilela. “Estamos empenhados em levantar mais recursos, tanto de dinheiro federal quanto da iniciativa privada, para financiar outros projetos, além desses 90.”

O edital do CNPq é a iniciativa mais abrangente lançada pelo governo federal para financiar pesquisas sobre o novo coronavírus e se soma a várias outras ações. A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), por exemplo, está investindo R$ 141 milhões na contratação de projetos considerados estratégicos pelo governo, entre os quais ensaios clínicos com drogas como a cloroquina e a nitozaxanida, a produção de ventiladores de baixo custo e o desenvolvimento tecnológico de uma vacina por uma equipe das fundações Zerbini, Oswaldo Cruz (Fiocruz), entre outros. A FAPESP, que já está financiando mais de 50 projetos sobre a Covid-19 propostos por pesquisadores paulistas, associou-se à Finep no lançamento de uma chamada pública que prevê R$ 20 milhões para projetos de pequenas empresas dispostas a desenvolver processos ou produtos inovadores, como kits diagnósticos para a doença, ventiladores pulmonares e equipamentos de proteção individual. A Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), destinou R$ 9 milhões a projetos para desenvolver testes de diagnóstico e fornecer equipamentos de proteção para hospitais.

Veja o texto na íntegra: Revista Pesquisa Fapesp

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