O () da Universidade de São Paulo (USP) está desenvolvendo um banco de dados sobre as emissões de gases de efeito estufa (GEEs) na região amazônica.
A plataforma está sendo construída com técnicas avançadas de big data para gerar dados que possam ser usados para monitorar a liberação dos gases, compreender melhor suas causas e nortear a criação e a fiscalização de políticas públicas voltadas à mitigação de emissões. Ela permitirá acompanhar os compromissos internacionais do Brasil na redução do desmatamento e na emissão de gases de efeito estufa pelo ecossistema amazônico.
A plataforma contará com o apoio de várias ONGs, como o Instituto de Pesquisas Amazônicas (Ipam), o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia e o MapBiomas, que trazem dados geolocalizados sobre as emissões de GEEs e o desmatamento na Amazônia, além de possibilitar retroalimentar outros bancos de dados.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia (Inpa), o Programa LBA - Experimento de Larga Escala da Biosfera e Atmosfera da Amazônia, a Amazon Tall Tower Observatory (torre ATTO), a Escola Politécnica (Poli-USP) e o Instituto de Física (IF-USP) são os coordenadores do projeto.
A iniciativa tem apoio da FAPESP por meio do RCGI, um Centro de Pesquisa em Engenharia () constituído em parceria com a Shell.
Dados abrangentes
Nesse esforço conjunto, será possível analisar dados de superfície e de satélites sobre emissões e absorções, incorporando informações dos últimos 25 anos, com forte parceria com o sistema MapBiomas.
“Conseguiremos também analisar o estado atual das emissões quase em tempo real, bem como fazer projeções usando inteligência artificial e técnicas avançadas de aprendizado de máquina”, destaca , professor do IF-USP e um dos coordenadores da iniciativa.
O objetivo, segundo Artaxo, é obter uma visão abrangente dos complexos e amplos aspectos que impactam o ecossistema amazônico e seu balanço de emissões de gases de efeito estufa.
Trata-se da primeira plataforma a trazer, de forma unificada, a maior parte dos parâmetros que controlam o processo de absorção e emissão de dióxido de carbono e metano para a atmosfera. “Essa iniciativa será crucial para o Brasil adotar políticas públicas lastreadas pela ciência, com dados abrangentes e confiáveis, que possibilitem cumprir as metas de redução de emissões de gases de efeito estufa”, afirma Artaxo.
Desafios do projeto
O repositório conterá dados de satélites, de medidas em torres, medidas do sistema Lidar do Inpe e dados meteorológicos, cobrindo toda a região amazônica em seus nove países, além do Brasil. “As técnicas de big data, como inteligência artificial e aprendizado de máquina, serão usadas para processar e analisar essa gigantesca massa de dados, desvendando os complexos relacionamentos não lineares entre os múltiplos parâmetros”, explica o coordenador da parte computacional do projeto, , professor da Poli-USP.
“O sistema amazônico é tão complexo e amplo que, para seu entendimento mais completo, é necessário o desenvolvimento de ferramentas computacionais avançadas, que permitam uma compreensão do comportamento não linear da interação da floresta com o sistema climático”, acrescenta.
Segundo Artaxo, a primeira fase, que já está em andamento, é a de coleta de dados de sensoriamento remoto, de superfície e de modelagens já feitas. “Depois disso, vamos começar a integrar e ligar diversos bancos de dados e desenvolver as ferramentas de inteligência artificial que permitam extrair informações qualificadas do sistema”, comenta o professor.
Um dos desafios da pesquisa será esclarecer a disparidade dos dados atualmente divulgados sobre as emissões na Amazônia. Isso ocorre em função das diferentes periodicidades e particularidades tecnológicas dos satélites que cobrem a região, gerando muitas vezes números discordantes. “O que nós vamos fazer é selecionar e analisar cuidadosamente os dados de cada satélite e selecionar aqueles mais assertivos, para validar esses dados para a Amazônia com medidas em superfície”, afirma Artaxo.
Algumas análises importantes serão possíveis com esses sistemas, tais como o papel da degradação florestal nas emissões, o impacto de El Niño e da La Niña na emissão de gases de efeito estufa, o cálculo das emissões de metano em áreas alagadas, entre outras análises.
Os pesquisadores também pretendem gerar relatórios periódicos sobre os dados coletados e as análises feitas. Artaxo já adianta dois aspectos que terão destaque nessas análises: o papel da expansão agropecuária e o impacto das mudanças climáticas nas alterações dos processos fotossintéticos da floresta.