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TN Sustentável

Amazônia próxima do ponto de não retorno

Publicado em 28 outubro 2011

Na última segunda-feira (24/10), primeiro dia do simpósio internacional Fapesp Week, realizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) em Washington (EUA), o professor Thomas Lovejoy, da George Mason University, Virgínia (EUA), fez uma séria advertência. O renomado biólogo - um dos maiores especialistas em Amazônia do mundo - afirmou que a Amazônia está muito próxima de um ponto de não retorno para sua sobrevivência, devido a uma combinação de fatores que incluem aquecimento global, desflorestamento e queimadas que minam seu sistema hidrogeológico.

Lovejoy começou a trabalhar na floresta brasileira em 1965, três anos depois da criação da Fapesp. Ele lembra que quando chegou a primeira vez em Belém, "só havia uma floresta nacional e uma área indígena demarcada e quase nenhum cientista brasileiro se interessava em estudar a Amazônia; hoje esse situação está totalmente invertida". Ele conta que nesses 47 anos, muitas coisas positivas aconteceram, mas alguns problemas que a região tem enfrentado estão se agravando e são fatores de preocupação.

O pesquisador acredita que restam cinco anos para inverter as tendências em tempo de evitar problemas de maior gravidade. O aquecimento da temperatura média do planeta já está na casa de 0,8 grau centígrado. Ele acredita que o limite aceitável é de 2 graus centígrados e que ele pode ser alcançado até 2016 se nada for feito para efetivamente reduzi-lo.

O objetivo fixado nas mais recentes reuniões sobre o clima em Cancun e Copenhague de limitar o aumento médio da temperatura média global em 2 graus centígrados pode ser insuficiente, na opinião de Lovejoy, devido a essa conjugação de elementos. De forma similar, Lovejoy crê que 20% de desflorestamento em relação ao tamanho original da Amazônia é o máximo que ela consegue suportar e o atual índice já é de 17% (em 1965, a taxa era de 3%).

A boa notícia, diz o biólogo, é que há bastante terra abandonada, sem nenhuma perspectiva de utilização econômica na Amazônia e que pode ser de alguma forma reflorestada, o que poderia proporcionar certa margem de segurança. Em sua palestra, Lovejoy saudou vários cientistas brasileiros como exemplares em excelência em suas pesquisas. Entre outros, Eneas Salati, Carlos Nobre e Carlos Joly.

* Com informações da Agência Fapesp.