Notícia

Jornal do Brasil

Amazônia pior que São Paulo

Publicado em 26 setembro 1997

Por ALEXANDRE MANSUR
Um estudo feito durante quatro anos e concluído agora revela que o ar em algumas regiões tem uma concentração média de 500 microgramas de partículas em um metro cúbico. Para se ter uma idéia, o ar da capital paulista registra em média 70 microgramas. Os paulistas entram em estado de alerta quando se chega a 150 microgramas. Segundo a legislação, a concentração máxima seria de 50 microgramas. "As pessoas estão preocupadas com o que está acontecendo na Malásia, mas a situação na Amazônia é a mesma. A diferença é que, no Brasil, ninguém faz tanto alarde quanto na Ásia", alerta o coordenador do estudo, Paulo Artaxo, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP). De acordo com ele, as imagens de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram imensas cortinas de fumaça que se concentram sobre o sul do Pará, o norte do Tocantins, parte de Rondônia e o norte do Mato Grosso. Para medir o grau de poluição, os pesquisadores instalaram estações de monitoria em Cuiabá, Alta Floresta (MT) e Serra do Navio (AP). Além do excesso de partículas em suspensão, os pesquisadores encontraram altos níveis de ozônio, um gás tóxico. Na Amazônia afetada pelas queimadas, a concentração de ozônio chega a 100 partes por bilhão. Em São Paulo, o valor típico é de 50 partes. Assim como na Indonésia, os agricultores do Brasil central usa o fogo na hora de preparar o terreno para o plantio. O resultado é que neste período, a fumaça toma conta de parte das regiões Norte e Centro-Oeste, afetando a saúde da população, além de provocar o fechamento de aeroportos e o aumento no número de acidentes nas estradas. Este ano, o EI Nino também promete agravar o efeito das queimadas no Brasil, avisa o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). "A gente prevê um aumento nos focos de queimada por causa da estiagem mais prolongada gerada pelo EI Nino", conta Geovanni Camacchia, do Prev-Fogo, o serviço de combate a incêndios do Ibama.