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Amazônia emite 23% das emissões globais de metano por ano

Publicado em 06 julho 2007

Por Redação Portal CONPET

Estudo integra projeto de cooperação científica internacional liderado pelo Brasil

A Floresta Amazônica contribui com cerca de 23% das emissões globais de metano (CH4) por ano, um dos principais gases causadores do efeito estufa. A descoberta é de uma pesquisa que integra o Experimento de Larga Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (na sigla em inglês, LBA), estudo coordenado pelo Brasil para explicar o papel da floresta no clima global.

Os cientistas esperavam que os níveis de metano fossem mais altos durante as épocas de cheias, já que o gás é naturalmente produzido em ambientes com pouca oxigenação com as regiões alagadas. No entanto, eles descobriram que as taxas são maiores do que o previsto tanto nas cheias como nas secas. 

Segundo a pesquisadora que participou do estudo Luciana Vani Gatti, do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), é preciso investigar de onde todo esse metano da floresta está vindo: de fontes ainda não conhecidas ou se aquelas já conhecidas emitem ainda mais gás do que o imaginado. Já se sabe que o metano é liberado na queima de gás natural, de carvão, de material vegetal, na decomposição de resíduos orgânicos e em atividades agropecuárias como a criação de gado e plantação de arroz.

Responsabilidade do homem

Gatti lembra, porém, que as emissões naturais sempre existiram e não são elas as causadoras do aquecimento global. São as emissões decorrentes de atividades humanos que causam esse problema, ressalta. Ela diz que deve haver uma conscientização social para que a contribuição do homem seja diminuída.

A pesquisa, publicada em maio na revista científica Geophysical Research Letters, foi feita em conjunto pelo Ipen e o órgão de pesquisa norte-americano sobre oceanos e atmosfera, o NOAA (sigla em inglês). Entre 2000 e 2006, o grupo usou aviões de pequeno porte para coletar amostras do ar da Amazônia em diferentes altitudes, partindo de 150 metros do solo até 4 km de altura.

Os dados foram comparados com os obtidos por estações globais de monitoramento na ilha de Ascension, entre o Brasil e a África do Sul, no Oceano Atlântico, e em Barbados, na América Central. A conclusão foi que a Amazônia emite 35 partes por bilhão (ppb) de metano para a atmosfera por ano, enquanto que o total das emissões do mundo é de 150 ppb neste mesmo período.


CO2

Os cientistas também mediram a quantidade de dióxido de carbono (CO2), maior contribuinte para o aquecimento global, e óxido nitroso (N2O), terceiro maior contribuinte. Os resultados dessas análises serão divulgados em outros estudos.

O Brasil é hoje o quarto emissor de CO2 do mundo, segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), e 75% das suas emissões são provocadas pelo desmatamento. O perfil de poluição do país é diferente do restante do mundo, explica o embaixador brasileiro para Questões Climáticas, Sérgio Serra. No planeta, as derrubadas de árvores representam 19% do aquecimento global, enquanto que a maior parte da poluição vem do consumo de combustíveis fósseis.

De acordo com o cientista do LBA Antônio Manzi, a Amazônia possui um estoque de aproximadamente 100 bilhões de toneladas de carbono e, caso seja totalmente desmatada, lançará para a atmosfera 14 vezes as emissões anuais globais provenientes da utilização de combustíveis fósseis.


LBA

Criado em 1998, o LBA é um projeto de cooperação científica internacional gerido pelo MCT e coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). O objetivo é explicar como funciona a Amazônia como uma biosfera regional, como as mudanças nos usos da terra afetam o clima regional e global e como as mudanças climáticas globais afetam o funcionamento biológico, químico e físico da floresta e sua sustentabilidade.

O LBA é financiado por agências de fomento brasileiras (MCT, CNPq, Fapesp, Finep, etc), pela Nasa (órgão oficial de pesquisa espacial) e a National Science Foundation, dos Estados Unidos, pela Comissão Européia, pelo Instituto Interamericano de Pesquisas sobre Mudanças Globais (IAI), além de organismos de países da Bacia Amazônica (Venezuela, Peru, Bolívia, Colômbia e Equador) e outras instituições americanas e de oito países europeus.

Com informações G1, Estadão Online e Agência Brasil