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Alunos de doutorado da Esalq realizam intercâmbio nos Estados Unidos

Publicado em 11 fevereiro 2020

Por Do Portal do Governo

Estudantes da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP, analisam desenvolvimento do milho tropical

Doutorandos no programa de Genética e Melhoramento de Plantas, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), Júlia Silva Morosini e Fernando Garcia Espolador realizam intercâmbio na University of Wisconsin-Madison, dos Estados Unidos. Sob orientação da professora Natalia de Leon, as teses dos alunos envolvem o estudo de milho tropical. Na Esalq, as teses têm orientação do professor Roberto Fritsche Neto, do departamento de Genética.

Júlia Silva Morosini desenvolve trabalhos relacionados à genética quantitativa, ou seja, analisa os componentes da herança das características sob uma abordagem estatística. Fernando Garcia Espolador está focado no estudo de diversidade do milho tropical, buscando entender como o item se caracteriza do ponto de vista fenotípico (o que vemos da planta) e genotípico (a informação contida no DNA).

Os estudantes foram selecionados para apresentarem oralmente os trabalhos na Corn Breeding Research Meeting, evento que ocorre anualmente nos Estados Unidos e reúne pesquisadores de melhoramento de milho de instituições públicas e privadas. “Foi uma experiência muito gratificante. Pudemos ver o que há mais de novo na área e ainda tivemos o privilégio de apresentar nosso trabalho. Todas as discussões decorrentes foram muito prolíficas”, destaca Fernando Garcia Espolador.

Desenvolvimento

Conforme explicam os pesquisadores, o milho plantado nas regiões tropicais é derivado de materiais temperados, isto é, plantas de milho que foram crescidas e adaptadas ao hemisfério norte. “Apesar do desenvolvimento razoável e dos bons índices de produtividade alcançados no Brasil, ainda há muito a ser explorado geneticamente no milho, o que representa potencial para elevação substancial da produtividade e adaptabilidade às regiões tropicais, como o Brasil e o continente africano”, explicam.

Os programas de melhoramento de milho estão baseados na exploração de um fenômeno chamado heterose ou vigor híbrido, que ocorre quando a progênie apresenta performance superior à média dos pais. Por exemplo: para a produtividade, que é o caráter de maior interesse agronômico, a heterose ocorre quando a progênie produz mais que a média de produção dos pais.

Para maximizar a manifestação desse efeito, os pais precisam ter baixo grau de parentesco, ou seja, serem geneticamente distantes um do outro. Segundo Júlia Silva Morosini, é fundamental dividir o conjunto de linhagens/pais em grupos, denominados grupos heteróticos. O trabalho tange especificamente como o germoplasma tropical ainda está em construção e não apresenta esses grupos bem definidos.

“Estudamos modelos que forneçam os melhores agrupamentos do ponto de vista genético”, salienta a pesquisadora. Já Fernando Garcia Espolador identifica a caracterização do germoplasma tropical com base nas informações de marcadores moleculares.

Produtividade

A deficiência de nitrogênio, uma grande restrição para a produtividade do milho especialmente em regiões tropicais, está inserida no contexto do trabalho. Os doutorandos identificaram que o agrupamento de pais feito em condição de estresse por nitrogênio não é o ideal para ser usado em condição sem estresse, pois leva a uma subexploração da heterose. Por esse trabalho, Júlia ganhou o prêmio de 2º lugar no ASTA’s CSS Poster Presentation Contest 2019, a maior congregação de profissionais de melhoramento nos Estados Unidos.

O evento ocorreu em Chicago, entre 9 e 12 de dezembro de 2019. “Receber o prêmio foi uma enorme satisfação e um momento marcante em minha carreira. O intercâmbio tem nos possibilitado trabalhar intensamente diversas habilidades, e esse trabalho é fruto disso”, comenta Júlia Silva Morosini.

O trabalho conduzido pela pesquisadora tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Fernando Garcia Espolador tem apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

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