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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Alunos de dança apresentam Silêncio Azul, de Simone Ferro

Publicado em 26 novembro 2008

Alunos e professores do Departamento de Dança do Instituto de Artes da Unicamp apresentam desta quinta-feira (27) a sábado (29), no auditório do Instituto de Artes, o espetáculo “Silêncio Azul”, uma coreografia da professora da Universidade de Wisconsin e Milwauke (EUA) Simone Ferro. A peça é resultado do Projeto Pesquisador Visitante, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que teve Simone como professora.

As mandalas indianas, fonte de inspiração para Simone, são formadas por 12 bailarinos que atuam como intérpretes-criadores. “Tenho atração por mandalas para meditação, mas, no espetáculo, suas diferentes formas geométricas ajudam os bailarinos a se movimentarem espacialmente”, explica. São as mandalas também que ajudam a pensar a dinâmica dos movimentos, segundo a coreógrafa. Divididos em níveis de três pessoas, os bailarinos, em movimentos circulares, trocam de dinâmica e de níveis no palco. Preocupada não somente coma dança propriamente dita, mas em compor uma imagem que ofereça uma percepção mais dinâmica da dança, Simone pensa na música e no desenho, que, em Silêncio Azul, é formado por corpos fragmentados.

O espetáculo começa como solo de uma bailarina em silêncio e segue com a aproximação dos outros personagens, e pequenos grupos, que vão se agregando aos poucos até se formar um microcosmo. O título, segundo Simone, invoca a imagem da Terra como uma bola azul. “Sempre gostei de olhar a imagem da Terra, silenciosa”, diz Simone.  Os três movimentos permitem refletir sobre o indivíduo em relação ao universo, onde o ser humano explora muitos caminhos solitários e, eventualmente, se unem a outros, retorna a si mesmo. “É um espetáculo do indivíduo para o todo e do todo para o indivíduo”, explica.

Responsável pelo projeto Pesquisador Visitante na Fapesp e diretora assistente de coreografia do espetáculo, a professora do Departamento de Dança da Unicamp Júlia Ziviani disse que o trabalho desenvolvido com Simone foi altamente enriquecedor para os alunos, que participaram de todo o processo, desde a criação até a atuação no palco. Apesar de envolver estudantes de graduação (primeiro, segundo e terceiros ano) a peça, segundo ela tem um alto nível de exigência, inclusive no tempo de execução. “Neste espetáculo, a partir do momento que entram em cena, eles não podem mais sair. Isso exige condicionamento físico, não só no que diz respeito a resistência, mas também de conhecimento do corpo, distribuição do peso do corpo, distribuição espacial, educação somática”. 

Tamanha exigência não inibiu os alunos aprovados na audição feita por Simone. Apesar das bolhas criadas no início dos ensaios, justamente por estarem experimentando movimentos novos, hoje eles ouvem os elogios da coreógrafa e da professora. “Fiquei surpresa. Eles pegaram tudo muito rápido e se dedicaram muito. Isso é muito importante”, disse Simone.

A dedicação do aluno é muito importante para as coreografias de Simone. Tanto nos EUA quanto aqui, ela trabalha com os ingredientes oferecidos pelos alunos. No projeto, ela deu 20 minutos para que os alunos refletissem sobre a proposta e apresentassem seus elementos. “Eles entenderam rapidamente. Eu trabalho com as idéias que os intérpretes me dão”, disse Simone. Essa é também uma forma, segundo Simone e Júlia, de ver quais são as possibilidades do intérprete, respeitando a individualidade de cada um para compor o conjunto. O sucesso do resultado de Silêncio Azul, segundo Simone, deve-se à semelhança do currículo do curso de graduação em dança das duas universidades. Tanto lá, como cá, a formação é completa, contemplando desde a questão da consciência corporal, a concepção de espetáculos, a formação de educadores, a produção artística até a atuação e a direção e espetáculos, sem perder nem o viés da pesquisa nem o da arte.

Uma das solistas e assistente de produção do espetáculo, a estudante do quarto ano de dança Maria Fernanda Miranda disse que uma das coisas mais enriquecedoras do trabalho foi a experiência da coletividade. "Mesmo fazendo solo, tenho de desenvolvê-lo pensando no grupo, atenta aos movimentos do grupo", enfatizou. 

A paulistana Simone conheceu Júlia no Balé da Cidade, onde atuaram na década de 1990. Coincidentemente, deixaram o Brasil também na mesma época, uma rumo à Itália e a outra, à Suíça. Ambas fizeram mestrado em dança nos Estados Unidos. Há 11 anos, Simone compõe o quadro de docentes do Departamento de Dança da Peck School os the Arts da Universidade de Winconsin e Milwaukee. Em licença sabática por um semestre, ela aproveita para dar continuidade a uma pesquisa sobre o Bumba-meu-boi de São Luís do Maranhão, além de participar do Projeto Pesquisador Visitante na Unicamp.