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Jornal da USP online

Alunos da USP propõem aplicações para tecnologia dos beacons

Publicado em 05 maio 2017

Foram seis meses de espera. As três equipes que conseguiram passar por todas as fases do concurso Be an Icon, que começou em outubro do ano passado e terminou oficialmente na tarde da quarta-feira passada (26), foram premiadas pelos trabalhos desenvolvidos.

A ideia do concurso era promover o desenvolvimento de softwares relacionados aos beacons. “O beacon é parecido com um tag que você pode utilizar para sinalizar coisas quaisquer, como um produto numa prateleira ou uma estátua num museu. Ele é transmitido como se fosse um sinal wi-fi ou bluetooth”, esclarece o professor Edson Moreira, pesquisador do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), organizador do evento e professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em São Carlos. .

O hall da biblioteca do ICMC foi o local escolhido para o anúncio dos prêmios: uma visita a uma empresa, uma quantia em dinheiro e um kit fornecido pela AnimallTag, empresa de soluções tecnológicas para o agronegócio. A equipe campeã do concurso teve a ideia de aplicar beacons identificadores em malas. “Como a gente sabe e os dados mostram, bagagens são extraviadas constantemente e isso causa um custo bem alto. A ideia do projeto foi desenvolver um sistema que conseguisse, de alguma forma, diminuir essa quantidade de malas extraviadas”, conta Guilherme Caixeta de Oliveira, aluno do ICMC e da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), também da USP, e membro da equipe.

O segundo lugar ficou com o grupo representado pela aluna Ariella Brambila, do ICMC. Os integrantes criaram um aplicativo que facilita as compras no mercado. “Temos uma base de dados com todos os produtos do supermercado e você inclui na sua lista o que você está precisando. A partir disso, toda vez que você vai ao mercado, você seleciona a lista que você está utilizando e, ao passar pelo produto no corredor, ele te envia uma notificação dizendo que o produto está na lista e você deve pegar”, explica Ariella.

As rotas dos ônibus foram o foco do trabalho do grupo que ficou com o terceiro lugar. “O propósito do sistema é identificar os horários que o ônibus passa nos pontos. Com isso, a gente consegue dar para a empresa os dados de quais horários os ônibus passaram em todos os pontos, e, para o usuário, qual foi o último horário que o ônibus dele passou e quando ele vai passar”, diz Guilherme Prearo, aluno do ICMC e da EESC.

“Nós tínhamos uma expectativa muito alta com o concurso e os grupos conseguiram superar. Eles conseguiram fazer protótipos bem funcionais, que dá pra mostrar pra empresas, e esses protótipos têm grande potencial de virar produto”, comemora Ana Elisa Siena, gestora de projetos da Siena Idea.

Apesar de organizar o evento, a Siena Idea não foi a única empresa presente na premiação. “Aqui no Brasil, a gente tem uma cultura, que já vem de muito tempo, que manteve a universidade e a empresa um pouco distantes, diferente de outros lugares. E a gente percebe que isso está mudando”, celebra Maximiliano Marques, CEO da Muve Digital, empresa de desenvolvimento de jogos.

A indústria de eletrônicos Compal também esteve representada. “É um evento muito interessante porque a gente está observando na prática os alunos aprendendo alguma coisa e apresentando soluções inteligentes para solucionar casos e necessidades do dia-a-dia”, comenta Mário Ferreira Filho, gerente de pesquisa e desenvolvimento da empresa.

Quem também marcou presença no evento foi a AnimallTag. “Eu acredito que a sinergia entre a AnimallTag e o CeMEAI é importante para trazer um pouco da academia para dentro da empresa. Todo o nosso desenvolvimento é feito com alunos aqui da USP. Acho que, quanto mais próxima a empresa estiver do Centro, é mais interessante para aprendermos e ensinarmos a todos os alunos aqui da USP”, salienta João Fernando Camargo, coordenador de desenvolvimento da companhia.

Por fim, o professor Joaquim Pessoa Filho, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, também elogiou o evento. “Na universidade, faço parte de um projeto em colaboração com a Apple e lá nós treinamos os alunos para criarem seus negócios, seus aplicativos. Fico muito animado quando vejo um jovem empreendendo, tendo ideias e colocando a mão na massa. Achei muito interessante ver os protótipos, ver tudo isso funcionando”, finaliza.

Além das empresas, que podem investir nos alunos e nos produtos, o CeMEAI também tem a iniciativa de dar suporte aos estudantes e apoiar os projetos com potencial.

O que são beacons?

Os beacons em questão são pequenos dispositivos físicos que emitem curtos pacotes de dados bluetooth com certa frequência e raio de alcance programáveis, permitindo que sejam utilizados como sinalizadores de produtos, de locais ou de algum artefato, como uma peça de museu, por exemplo. A utilização de beacon para sinalização de produtos para venda, itens de acervo em museus e em guias eletrônicas para turismo é bem conhecido.

Sobre o CeMEAI

O Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), com sede no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela FAPESP.

O CeMEAI é estruturado para promover o uso de ciências matemáticas como um recurso industrial em quatro áreas básicas: Otimização Aplicada e Pesquisa Operacional, Mecânica de Fluidos Computacional, Modelagem de Risco, Inteligência Computacional e Engenharia de Software.

Além do ICMC-USP, CCET-UFSCar, IMECC-UNICAMP, IBILCE-UNESP, FCT-UNESP, IAE e IME-USP compõem o CeMEAI como instituições associadas.

Leonardo Zacarin / Assessoria de Comunicação CeMEAI