Notícia

Agência C&T (MCTI)

Aluno de escola pública se torna cientista na Unicamp

Publicado em 08 janeiro 2008

Por Marcelo Andriotti, da Agência Anhangüera (marcelo.andriotti@rac.com.br)

Durante um mês, 125 estudantes participarão de pesquisas científicas na universidade no projeto Ciência e Arte nas Férias


Pelo sexto ano consecutivo, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) abriu suas portas para a iniciação científica voltada a alunos do Ensino Médio de escolas públicas da região. Neste ano, 125 estudantes selecionados entre 311 inscritos começaram a trabalhar nos laboratórios da universidade. O objetivo do projeto Ciência e Arte nas Férias, que começou na sexta-feira e vai até o início de fevereiro, é aproximar estudantes do meio científico e da Unicamp.

"Queremos mostrar a eles que os pesquisadores são pessoas comuns, desmitificar a imagem de malucos", brinca o professor Rogério Custódio, coordenador do projeto. Os estudantes ficarão um mês na universidade, trabalhando de segunda-feira a sexta-feira em pesquisas desenvolvidas por professores de diferentes áreas da Unicamp.

Muitos dos trabalhos já estavam sendo desenvolvidos pelos pesquisadores e outros foram criados especialmente para o projeto. "As pesquisas têm que ter o período de até 30 dias, com começo, meio e fim", diz Custódio.

São estudos na área de exatas, tecnologia, humanas, biomédicas e artes, envolvendo profissionais dos departamentos de medicina, química, física, biologia, engenharia, arquitetura, computação, filosofia, história, agricultura e artes. Os estudantes recebem bolsas de estudo, transporte, alimentação e seguro de vida. Os recursos são da Unicamp, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Os professores que participam do projeto apresentam seus projetos e trabalham como voluntários, orientando os estudantes. Eles recebem entre R$ 3 mil e R$ 4 mil para a compra de material e equipamentos que serão usados nas pesquisas.

As escolas públicas da região que se interessaram pelo projeto indicaram seus melhores alunos. Eles passaram por uma avaliação de seus históricos escolares e fizeram uma redação na qual explicaram por que pretendiam participar do programa e as áreas que têm mais interesse.

O projetos foram apresentados no segundo semestre de 2007 pelos pesquisadores interessados e para cada um deles são escolhidos dois ou três estudantes. Às quarta-feiras, os estudantes têm folga de suas pesquisas e participam de outras atividades acadêmicas que reúnem grupos de até 30 pessoas.


Oportunidade

Larissa Abdo Elias Bacalá estava empolgada com a oportunidade de participar do evento da universidade. Ela diz que a Unicamp é vista com respeito e poder conhecer melhor a área que tem interesse dentro da instituição é importante para decidir qual carreira seguir.

Jéssica de Souza está participando pela segunda vez do Ciência e Artes nas Férias. No ano passado, ela desenvolveu uma pesquisa na área de biomedicina e, neste ano, está em um projeto de química. "Quis conhecer outra área para poder fazer melhor minha escolha profissional", afirma.

Vivian Quinália está no projeto pela primeira vez e foi influenciada pela irmã, que participou há três anos. "Ela chegava em casa toda empolgada e eu me animei. Eu pretendia fazer pesquisa na área de humanas, mas só tive oportunidade em bioquímica e estou gostando muito."

O doutorando Júlio César Teixeira Silva desenvolve pesquisas de química orgânica com andiroba e virola, duas árvores amazônicas entre as mais utilizadas pela sua madeira. Ele está orientando alunos sobre as técnicas utilizadas para a avaliação bioquímica de plantas.

Sua colega Bruna Barbosa dos Santos, que faz mestrado e estuda as propriedades de óleos de lírio-do-brejo e cataia, também participa. Os dois desenvolvem pesquisas que estão apresentando resultados de interesse para a indústria farmacêutica e de cosméticos, que agora estão sendo conhecidas de perto pelos estudantes.

"Utilizamos plantas amazônicas que são de difícil obtenção. Por isso, os estudantes estão usando plantas mais comuns e acessíveis de nossa região, mas as técnicas que vão aprender são as mesmas que utilizamos", diz Silva.