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Pauta Social

Aluna ganha prêmio Bayer com projeto de gestão de resíduos

Publicado em 29 setembro 2011

São denominados resíduos da arborização urbana os galhos, ramos, folhas, raízes e troncos oriundos da poda e remoção das árvores pela Prefeitura Municipal, concessionárias de energia, telefonia ou fenômenos naturais. Anualmente, a cidade de São Paulo gasta R$ 885 mil com a disposição e transporte desses materiais. São cerca de 50 mil toneladas de galhos e troncos ocupando até 4,4% do volume dos aterros sanitários.

Segundo Mariana Cerca, graduanda em Gestão Ambiental da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ), a dificuldade quanto à destinação desse tipo de resíduo ocorre devido ao seu grande volume e às características que inviabilizam a compactação e aumentam o risco de combustão. “A falta de modelos adequados para o gerenciamento dos resíduos tem contribuído para agravar os problemas ambientais, sociais e econômicos resultantes da disposição inadequada desses materiais, terrenos baldios, lixões e vias públicas”, afirma.

A fim de elaborar soluções para esse contexto, no segundo semestre de 2010, o “Curso de Formação de Gestores Públicos: Gestão de Resíduos da Arborização Urbana nos Municípios do Estado de São Paulo” foi oferecido a partir de um financiamento do Fundo de Cultura e Extensão da USP. Foram realizados encontros e apresentadas bases conceituais e metodológicas e os participantes elaboraram propostas para suas cidades de origem. "Nos encontramos para apresentarmos os resultados dos trabalhos individuais, discutimos os desafios enfrentados na elaboração do plano e compartilhamos propostas de solução. Com isso, ao final do curso, cada município teve um plano base para ser posteriormente discutido e implementado", revela Adriana Nolasco, professora do Departamento de Ciências Florestais (LCF) e coordenadora da iniciativa.

Os municípios com menos de 35.000 habitantes do Estado de São Paulo foram analisados por Mariana Cerca em seu projeto de iniciação científica “Gestão de Resíduos da Arborização Urbana em Pequenos Municípios do Estado de São Paulo”. Com apoio da Fapesp e orientação de Adriana Nolasco, o trabalho busca desenvolver um plano de gerenciamento de resíduos da arborização para esses municípios de pequeno porte no Estado de São Paulo.

Com o projeto, Mariana Cerca foi um dos quatro brasileiros premiados pelo Programa Bayer Jovens Embaixadores Ambientais, fruto de uma parceria mundial entre a Bayer e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) com o apoio do Ministério do Meio Ambiente, da Agência USP de Inovação e da Universia. Os ganhadores apresentarão, na Alemanha, seus projetos para jovens de 17 países e discutirão diferenças entre as questões ambientais e soluções para problemas comuns. Os brasileiros ainda visitarão as instalações ambientais da empresa, o Ministério do Meio Ambiente alemão, universidades e museus científicos em Berlim e Leverkusen.

Em seu projeto, a estudante afirma que o primeiro passo para obter o gerenciamento correto dos resíduos é reduzir ao máximo sua geração, reutilizá-los em menor grau antes de descartá-los e, por fim, encaminhá-los para a reciclagem. “Esse material pode ser aproveitado para uso em diversos produtos e sua valorização poderá reduzir o custo de disposição, além de trazer benefícios ambientais e sociais para os municípios”, explica.

O objetivo proposto pelo estudo é caracterizar e quantificar os resíduos da arborização urbana nos pequenos municípios e os modelos de gestão adotados atualmente. Em seguida, identificar soluções para o manejo adequado dos materiais e, por último, elaborar um plano de gerenciamento dos dejetos adequado às cidades analisadas. “Para identificar soluções de manejo adequado desses materiais será feita uma revisão de literatura e estudos de caso em prefeituras que já estão adotando alternativas de valorização e destinação dos seus resíduos em âmbito nacional e internacional”, conclui.