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UNIRIO - Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Alternativas são propostas no CCET para delinear a proteção ambiental como imperativo cultural

Publicado em 21 outubro 2011

A busca de alternativas no trato com o meio ambiente. Esse foi o ponto comum entre as palestras da mesa-redonda "A proteção ambiental como imperativo cultural", realizada na quinta-feira, dia 20 de outubro, no Auditório do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia (CCET) da UNIRIO, como parte da programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2011. Com participação maciça dos estudantes, que lotaram o espaço, os debatedores propuseram uma nova perspectiva sobre a relação do homem com a natureza, na tentativa de superar um cenário de crise que vem causando o esgotamento do meio ambiente. O evento foi mediado pela Diretora da Escola de Informática Aplicada, Profa. Leila Andrade.

Na palestra, "A Cultura na Proteção Ambiental: Da Ideia ao Estabelecimento Político", a Profa. Cládice Diniz, da Escola de Engenharia de Produção da UNIRIO, situou, historicamente e sob uma perspectiva marxista, como a construção do regime capitalista influenciou na relação dos seres humanos com os recursos ambientais. "O capitalismo tem sido uma força avassaladora e predatória, que visa ao progresso sob uma lógica de construção e competição de hegemonias. Por isso, precisamos construir um novo modelo teórico macroeconômico, para dar um novo rumo à questão e à educação ambiental do futuro. Os caminhos hoje demandam soluções econômicas articuladas à soluções ambientais", defendeu a Profa. Cládice.

Apresentando o tema "Discutindo Tecnologia e Natureza", a Profa. Valéria Wilke, da Escola de Filosofia da UNIRIO, disse que a reflexão sobre a natureza é uma das bases da filosofia clássica e argumentou que o maior problema que surgiu a partir da Idade Moderna é que a natureza passou a ser vista como recurso ou fonte de energia, a ser utilizada de forma funcionalista pelo homem, ao invés de ser vista como parte do próprio homem. Segundo ela, o ser humano também não se vê como um ente da natureza. A filósofa destacou ainda a necessidade de uma nova perspectiva sobre a técnica, que seria o controle da natureza sob bases pré-científicas, e sobre a tecnologia, que poderia ser a técnica aprimorada sob bases científicas ou, mais do que isso, um espaço para desenvolver os interesses da sociedade como um todo. "É necessária uma mudança cultural sobre a tecnologia, que venha de avanços democráticos, dando à tecnologia uma perspectiva de um campo de luta social", afirmou a Professora.

A blogueira e jornalista da Revista da Fapesp Isis R. N. Diniz falou sobre "O Papel da Divulgação via Blog e Mídias Sociais na Proteção Ambiental". Criadora do blog Xis-Xis (http://scienceblogs.com.br/xisxis/), a jornalista apresentou números sobre o acesso e perfil dos usuários da rede e das mídias sociais, apresentando também dicas para aqueles que querem criar blogs ou desenvolver alguma mobilização pró-ambiente na internet. Segundo ela, a web 2.0 permitiu que mais atores sociais entrassem na luta pelo meio ambiente e se encontrassem com pessoas de diversos lugares que tinham preocupações afins. Na apresentação, a jornalista contou que os primeiros blogs foram estimulados pela chamada "onda verde" e pela consolidação de datas especiais, como o Ano da Biodiversidade (2010) e o Ano das Florestas (2011). Baseando-se em dados da agência Comscore, Isis destacou que somente 2% da blogosfera tratam do assunto meio ambiente, apesar do grande interesse dos internautas pelo tema, segundo outras pesquisas, mostrando que é um campo com potencial crescimento. Nesse sentido, convocou os participantes do encontro para se integrarem em ações ambientais junto ao próprio bairro, aos amigos ou mesmo em uma dessas redes.

Encerrando a rodada de palestras, o engenheiro e Prof. Raymundo de Oliveira tratou do tema "A Proteção Ambiental: A Política no Desenvolvimento da Tecnologia". Presidente da Fundação Universitária José Bonifácio (FUJB), Prof. do Instituto de Matemática da UFRJ e ex-presidente do Clube de Engenharia, ele pontuou marcos históricos de descobertas e invenções da humanidade que demonstram que vem ocorrendo um uso predatório das riquezas naturais. De acordo com Oliveira, esse fator, aliado a uma excessiva dependência do petróleo por todo o mundo, à concentração na distribuição de alimentos e à chamada lógica do descarte - ao invés de fazer manutenção e reparo de equipamentos, a humanidade optar por jogar o produto fora - gera uma ameaça real à vida no planeta. "A tecnologia que está aí é a que mais atende ao capital e mexer nisso é abalar um estilo de vida hegemônico, determinado pelas grandes potências. Mas é possível criar outra luta, enfrentar essa lógica e criar um modelo tecnológico que gere emprego, segurança e redução de desperdícios", finalizou Oliveira.