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Alterações sutis no coração

Publicado em 11 setembro 2006

Por Eduardo Geraque

Agência FAPESP

Em condições normais, em camundongos colocados para fazer exercícios durante quatro semanas, uma pequena alteração genética não interferiu no aumento da massa cardíaca. Mas, quando algum estímulo patológico foi colocado no experimento, como o aumento da pressão arterial, a situação mudou completamente de figura.

"No segundo caso, existiu uma modulação na magnitude da hipertrofia cardíaca que não foi compensada pelo organismo", disse José Eduardo Krieger, do Instituto do Coração da Universidade de São Paulo. O grupo do pesquisador está desenvolvendo estudos para tentar medir a influência do meio ambiente e dos genes nas doenças do coração.

Segundo Krieger, que participou na semana passada, em Foz do Iguaçu, do 52º Congresso Brasileiro de Genética, já é possível fazer experimentos com controle dos fatores genéticos e ambientais, como foi feito no caso dos camundongos. E, a partir disso, perceber como pequenas alterações genéticas — no caso da pesquisa estudou-se a enzima conversora de angiotensina (ECA) — podem interferir de forma negativa no funcionamento do coração.

Ao tentar cruzar os genes com o ambiente, explica Krieger, os pesquisadores já sabem, em tese, quais os dois principais caminhos que devem ser seguidos: ou se investiga a alteração nas enzimas, em termos de quantidade e não de qualidade, ou a alteração na própria produção das proteínas.

No caso dos camundongos, que foram colocados para nadar e desenvolveram uma hipertrofia cardíaca saudável de até 20%, o exercício físico gerou uma mudança nos processos bioquímicos envolvidos com a ECA, mas que não resultou em problemas, muito pelo contrário.

"O organismo tem toda a capacidade de tamponar parte dessas alterações, o que mostra a boa sintonia entre o ambiente e a genética", disse Krieger.