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Alterações para o Plano Estadual poderão ser feitas até agosto

Publicado em 19 abril 2005

As sugestões para alteração do documento-base para a elaboração do Plano Estadual de Educação Profissional e Tecnológica podem ser feitas até 12 de agosto. A informação foi dada pelo superintendente de Educação Profissional e Tecnológica da Secitec (Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia), Geraldo Grossi Júnior, durante o seminário de discussão das políticas de Ciência e Tecnologia, em Tangará da Serra.
Grossi integra a caravana que percorre até maio municípios de nove regiões do Estado para a realização dos Seminários Regionais de Revisão do Plano Estadual de Ciência e Tecnologia.
O trabalho é coordenado pela secretária de Estado de Ciência e Tecnologia, Flávia Nogueira, e conta com a participação da superintendente de Educação Superior, Ilma Grisoste, e do presidente da Fapemat (Fundação de Amparo à Pesquisa de Mato Grosso), Antônio Carlos Camacho. "Um plano político só tem valor se for discutido e revisto constantemente", disse ela.
Os seminários regionais estão sendo realizados pelo interior do Estado para apresentar e discutir as políticas do Governo do Estado na pasta de Ciência e Tecnologia, que abrange a Educação Profissional, a Educação Superior e o fomento à pesquisa. Flávia Nogueira lembrou que o Plano Estadual de Ciência e Tecnologia estabelece como princípios básicos a educação como base do desenvolvimento e a pesquisa como a base da educação.

Tecnologia
A secretária apontou a necessidade de se investir na produção de tecnologia no Estado. "Mato Grosso se destaca pela produção agrícola com a utilização de alta tecnologia, mas esse investimento foi feito apenas pelo setor privado", observou ela, ressaltando que somente a partir de 2004 o setor público começou a investir em pesquisa. "Estamos dando início ao que deveria ter sido feito há décadas."
Professores e alunos do campus da Unemat de Tangará da Serra, além de representantes da prefeitura do município participaram do seminário, ocorrido durante toda a sexta-feira (15.04), no campus da universidade.
A iniciativa da Secitec surpreendeu os muitos professores. "Nunca poderia imaginar em São Paulo o presidente da Fapesp [Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo] e o secretário de Ciência e Tecnologia virem conversar com as instituições", disse o professor paulistano Gilmar Laforga.
"Isso mostra que a Secitec está interessada em construir um projeto integrado, isso não acontece em estado nenhum." Radicado em Tangará da Serra há dois meses, o professor ressalta que deixou São Paulo a fim de novas propostas de ação. "Vemos que existe um interesse do Governo de Mato Grosso nisso", disse ele.

Ceprotec
A qualificação profissional é uma grande necessidade do município de Tangará da Serra, com cerca de 72 mil habitantes. Uma unidade do Centro Estadual de Educação Profissional e Tecnológica (Ceprotec) deve ser instalada em 2006. O município, que tem vocação agropecuária, conta atualmente com duas mil e cem empresas. "Somos muito carentes de mão-de-obra especializada", informa a secretária de Indústria, Comércio, Turismo e Serviços, Maria do Carmo Caparroz.
Ela observa que para cada vaga surgida no Sine são apresentados cinco candidatos, sendo que o nível norma de apresentação é de três. Mesmo assim, o nível de empregabilidade é muito baixo. "A falta de especialistas é tanta que as prestadoras de assistência técnica em eletrônica, por exemplo, estão querendo passar a apenas vender equipamentos e não prestar mais assistência". Para ela, as políticas apresentadas pela Secitec vão ajudar a reverter esse quadro.
A secretária exemplifica que em Tangará da Serra é expedida uma média de 70 alvarás de construção por mês, que não conseguem ser cumpridos por falta de profissionais como azulejista e vidraceiro.

Expectativa
A instalação do Ceprotec (Centro Estadual de Educação Profissional e Tecnológica) no município é aguardada com ansiedade. "Precisamos de qualificação técnica mesmo", disse ela. "O Ceprotec vai oferecer cursos com carga horária de 800 a 1.200 horas e o estágio supervisionado, o que dará ao profissional mais engajamento no mercado de trabalho", disse o superintendente de Educação Profissional, Geraldo Grossi Júnior. "Além disso, a capacitação para professores da educação profissional poderá ser dada tanto pela Seduc [Secretaria de Estado de Educação] quanto pela Unemat."

Resultados
Fomento a projetos que contemplem os impactos ambientais dos agrotóxicos, incentivo à economia solidária e ao cooperativismo, capacitação de docentes para a educação profissional, inclusão dos professores que farão concurso público da Unemat no orçamento da instituição. Essas foram algumas das reflexões apresentadas pelos grupos de discussão do seminário.
Muitas delas terão que ser discutidas no interior da Unemat, que tem autonomia para decidir sobre sua realização ou não. As demais serão apresentadas ao Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia, que será o responsável pela reformulação do Plano Estadual de Ciência e Tecnologia e que debaterá o tema em reunião aberta a ser realizada no dia 14 de junho. (Neusa Baptista/Secitec)
Diário de Cuiabá (Cuiabá/MT) — Últimas Notícias — 19/04/2005 - Online
Projeto da Fiocruz e UFMG vence etapa internacional
Gerenciado pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), o projeto científico para estudar a varíola bovina, doença registrada em rebanhos das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Norte do Brasil, ficou em primeiro lugar na lista dos projetos que receberão financiamento pelo Instituto Nacional dos Estados Unidos (NIH). O desenvolvimento será por equipe de pesquisadores do Centro de Pesquisa René Rachou (CPqRR), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O projeto Fiocruz-UFMG concorreu com outros 13 projetos internacionais e receberá US$ 100 mil do International Collaboration in Infectious Disease Research (ICIDR), que é o programa do NIH voltado para os estudos sobre doenças tropicais. Os cientistas da Fiocruz e da UFMG têm o propósito de tentar detectar, isolar e caracterizar o tipo de vírus causador da doença no país. 'O vírus que iremos isolar foi utilizado na produção de vacinas durante a campanha de erradicação da varíola humana, nas décadas de 1960 e 1970', explicou o coordenador da pesquisa, Flávio Guimarães da Fonseca, em entrevista à Agência Fapesp.
'Trata-se de um vírus de laboratório que não deveria estar na natureza. De alguma forma, ele escapou e se adaptou em algum organismo que ainda não conhecemos', completou.
A varíola bovina não é uma 'doença fatal'. Ela atinge, primeiro, o gado, e depois, os seres humanos. Flávio da Fonseca esclareceu à Agência Fapesp que a contaminação ocorre no contato com as feridas provocadas pela doença nas mamas dos animais. 'Quando a infecção ocorre, os sintomas como febre e dor são tratados com antibióticos e, normalmente, ela some dentro de 15 a 20 dias'. Acrescenta que o principal desafio do estudo será identificar os prováveis hospedeiros que conseguem manter o vírus em atividade.
A escolha da comissão científica do NIH se deu pelo mérito científico da pesquisa, pelo impacto social do estudo e após entrevista com os pesquisadores, salientou a Agência Fapesp.