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Extra (Rio de Janeiro, RJ) online

Alteração em proteína do leite melhora digestão em idosos, mostra estudo

Publicado em 23 agosto 2019

Por Evelin Azevedo

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) modificaram a estrutura da betalactoglobulina — uma das principais proteínas do leite — para torná-la mais fácil de ser digerida por idosos. Os cientistas usaram luz ultravioleta (que tem ação bactericida e esterilizante) para modificar a proteína.

— A digestão nos idosos era de cerca de 40% da proteína ingerida e com a alteração com a luz ultravioleta ela passou para 94%. Ou seja, com esta técnica é possível mais que dobrar a digestão — afirma Daniel Rodrigues Cardoso, professor do Instituto de Química de São Carlos, que coordenou o estudo desenvolvido pela estudante de mestrado Juliana Fracola.

A betalactoglobulina é a proteína mais abundante no soro do leite. Os pesquisadores descobriram que a proteína irradiada com ultravioleta apresentou propriedades com ação antioxidante, anti-hipertensiva e ansiolítica.

— Além de melhorar a digestão da proteína, os peptídeos (partes menores nas quais as proteínas são quebras na digestão) liberados podem ser benéficos para as pessoas que os consome — explica Cardoso.

De acordo com o especialista, o uso de luz ultravioleta para esterilizar o leite e aumentar seu tempo para consumo é cerca de 250 mais barato que o método atual utilizado na pasteurização do líquido pela indústria alimentícia.

Sistema digestivo de idosos é mais lento

A estrutura original da proteína faz com que ela seja de difícil digestão não apenas pelos idosos, mas por pessoas de todas as idades. O envelhecimento, no entanto, influencia muito na absorção de nutrientes em geral.

— Isso se dá desde a dificuldade de mastigação que o idoso enfrenta, por causa da falta de dente ou dentadura, e vai até ao processo de renovação celular do sistema digestivo que neles é mais lento — explica Carlos Eduardo Brandão Mello, coordenador do setor de Gastroenterologia do Hospital São Vicente de Paulo. — A mucosa que reveste o estômago e o intestino do idoso fica um pouco atrofiada, o que dificulta a produção de enzimas (responsáveis por quebrar proteínas e gorduras, por exemplo) e o processo de digestão.

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