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Alguns efeitos dos alimentos fabricados

Publicado em 18 maio 2018

Nos últimos anos vem se acirrando uma polêmica em torno dos alimentos industrializados, em especial aqueles ricos em açúcares, gorduras, sal e compostos químicos que aumentam a sua durabilidade ou lhe conferem mais aroma, cor e sabor. De um lado, alguns grupos de nutricionistas e especialistas em saúde pública atribuem a esses alimentos um papel importante, que começa a ser quantificado, no aumento de risco de desenvolver obesidade e diabetes, dois problemas de saúde cada vez mais comuns no mundo. O consumo desses alimentos, classificados como ultraprocessados em 2009 pelo epidemiologista Carlos Augusto Monteiro, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Sao Paulo (FSP-USP), é elevado em vários países ricos, nos quais a proporção de pessoas com peso acima do considerado saudável é alta, e vem crescendo de modo acelerado nos países com população de renda média baixa. De outro lado, pesquisadores da área de ciência e tecnologia de alimentos consideram a classificação imprecisa. Também afirmam que o consumo desse tipo de alimento, que permite a parte da população mundial ter acesso ao mínimo de energia necessária para se manter viva, é apenas um dos muitos fatores a serem ponderados na explicação desses problemas.

Estudos recentes alimentam esse debate ao apresentar evidências iniciais de que um consumo maior desse tipo de alimento industrializado pode ter um impacto nocivo sobre a saúde. Em fevereiro deste ano, a revista British Medical Journal apresentou o resultado de uma pesquisa conduzida na França que, pela primeira vez, sugeriu uma associação entre um maior consumo de alimentos processados e o aumento no risco de câncer.

Desde que propôs esta classificação dos alimentos, Monteiro e sua equipe verificaram que a participação dos ultraprocessados no prato dos brasileiros aumentou 22% na década passada e que a disponibilidade desses alimentos é maior na casa de pessoas com sobrepeso ou obesidade. Também constataram que quem consome mais deles ( mais de 35% das calorias diárias) ingere níveis altos de açúcares livres e baixos de fibras, o que reduz a saciedade.

Em estudo feito por Popkin, Monteiro e Jean-Claude Moubarac, do Canadá, publicado em 2013 na Obesity Review, eles identificaram o avanço da indústria desses alimentos em nações com população de média e baixa renda. No período, as vendas aumentaram, em média, 2,8% ao ano no Peru, no Mexico, no Brasil e na Turquia, e 5,5% ao ano na China, na Bolivia e na Indonesia, entre outros. “Essa indústria é a força que agora molda o sistema alimentar mundial”, escreveram os pesquisadores.

Artigo interessantíssimo e atualíssimo a ser buscado e lido na integra na fonte, aqui parcial e resumidamente transcrito.

Fonte: Revista Pesquisa FAPESP – Ano 19, n. 265 – Março de 2018