Notícia

Jornal do Commercio (RJ)

Algas brasileiras são esperança contra aids

Publicado em 26 setembro 2005

Pesquisadores da UFF descobriram em algas encontradas no litoral brasileiro substâncias que se mostraram capazes de inibir o vírus da aids em meio celular. Diferentes tipos de algas foram analisados em dez anos de estudos, entre elas as algas pardas Dictyota menstrualis e Dictyota pfaffii, encontradas com abundância, respectivamente, no litoral fluminense e na costa do Atol das Rocas (RN).
Os autores da pesquisa, com coordenação de Izabel Paixão Frugulhetti e Valéria Laneuville Teixeira, do Instituto de Biologia da UFF, extraíram, das duas espécies, uma substância química do grupo dos diterpenos polioxigenados. "Nas primeiras avaliações, esses diterpenos se mostraram capazes de inibir em até 95% a replicação do vírus HIV", diz Izabel Paixão Frugulhetti.
Izabel explica que, para inibir o vírus HIV com tamanha eficácia, foi preciso utilizar uma concentração muito maior de diterpenos se comparado com a quantidade necessária de AZT no coquetel contra a aids. "As pesquisas tiveram, em média, uma concentração de diterpenos de 50 micromolares. O mesmo efeito pode ser obtido com apenas 0,1 micromolar de AZT", diz.
Isso significa que é preciso utilizar uma concentração 500 vezes maior de diterpenos para ter um efeito comparável ao obtido com o AZT. "A grande vantagem é que os diterpenos são substâncias promissoras por não serem tóxicas, diminuindo os efeitos colaterais", ressalta Izabel. Os diterpenos polioxigenados encontrados na algas demostraram baixa toxicidade nos testes em laboratório.

Agência Fapesp