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Global Research

Algar Telecom aposta em serviço unificado

Publicado em 07 dezembro 2009

Depois da aquisição da GVT pela companhia francesa Vivendi, os olhos dos investidores se voltam para a última das operadoras regionais de telecomunicações a sobreviver de forma independente. O diretor-presidente da CTBC, atual Algar Telecom, Divino Sebastião da Silva, confirma que a operadora sempre foi muito assediada, mas que o foco dos acionistas é ter rentabilidade investindo no próprio negócio. Ajuda o fato de 100% das ações pertencerem à família do fundador da holding Algar, Alexandrino Garcia.

A história de resistência da CTBC remonta à década de 60, quanto o governo federal estatizou todas as companhias de telecomunicações, exceto duas municipais, a Sercomtel, de Londrina (PR), e a CTBC, de Uberlândia (MG). Como na Gália de Asterix, a população das duas cidades resistiu ao "invasor", o Sistema Telebrás. Por meio de plebiscito, os cidadãos escolheram continuar sendo atendidos por suas operadoras regionais, que mantiveram o capital privado.

A Sercomtel restringiu suas operações apenas a Londrina e mais quatro cidades, enquanto a CTBC foi ampliando sua área de concessão para toda a região do Triângulo Mineiro, que hoje abrange 304 localidades.

Por seu bom desempenho, em 2001 a companhia recebeu autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para operar em todo o território nacional.

Mas a opção foi por oferecer serviços de voz e dados para clientes empresariais só em áreas realmente atrativas.

Para chegar às pequenas e médias companhias com banda larga de alta velocidade, a operadoras iniciou em 2007 investimentos em um anel de fibra óptica para interligar as cidades de Brasília, Goiânia, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. "São áreas que concentram 50% do PIB de telecomunicações e 70% do tráfego do país", afirma Silva. Desse anel fazem parte 38 cidades, entre elas grandes municípios do interior de São Paulo, como Campinas, São José do Rio Preto e Ribeirão Preto.

A CTBC atende os clientes residenciais na área de confluência entre os Estados deSão Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás, nas regiões I, II e III, segundo a classificação da Anatel.

Para concorrer com as grandes operadoras de telefonia fixa e móvel, a companhia investe em um relacionamento mais próximo com o cliente e em uma cesta de serviços integrados: voz, banda larga e celular. A receita tem dado certo. Em sua área de concessão, a operadora tem 95% de participação em telefonia fixa e 27% do mercado de celular, pelo qual briga com cinco concorrentes. Em banda larga, tem índice de penetração em 31% dos domicílios, marca considerada alta se comparada, por exemplo, com a Telefônica, que tem 22% em São Paulo. Como operadora líder em sua região, o nome CTBC foi mantido no segmento residencial. "A marca CTBC é muito forte na região, com 55 anos de história", diz Silva.

A infraestrutura de telefonia residencial conta com a chamada rede NGN, tecnologia que reúne voz, dados e vídeo com protocolo de internet. Hoje o cliente da CTBC pode optar por transformar seu telefone em uma linha integrada à banda larga. "No segmento empresarial, 100% dos clientes já optaram pela telefonia IP", diz Silva.

A operadora conta atualmente com cerca de 4,5 mil clientes no segmento empresarial entre pequenas e médias companhias e prevê ganhar espaço no ano que vem com maior divulgação da marca Algar Telecom. Hoje os clientes corporativos contribuem com 30% do faturamento. A receita da CTBC em 2008 foi de R$ 2,8 bilhões e a receita do terceiro trimestre do ano cresceu 11% frente ao mesmo período do ano passado.

A estratégia para atender melhor o cliente empresarial é continuar investindo em redes de fibra óptica. O Rio de Janeiro, por exemplo, que vai receber a Copa do Mundo em 2014 e a Olimpíada em 2016, já conta com 150 quilômetros de fibra interligando os bairros de Copacabana, Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes, passando pelos principais estádios e pontos turísticos da cidade.

Em São Paulo, a empresa conta com 400 quilômetros de rede de fibra óptica para a oferta de serviços de voz, transmissão de dados e banda larga. Para entrar no atrativo mercado das comunicações unificadas e incluir telefonia móvel nesse pacote, a CTBC espera que a Anatel regulamente o serviço das operadoras móveis virtuais (MVNOs) que alugam redes de outras empresas e oferecem telefonia celular com sua marca. "Poderíamos atuar em regiões onde hoje o serviço é falho ou tem pouca concorrência. Em muitas localidades estamos mais próximos do cliente do que as grandes operadoras, que muitas vezes não têm interesse naquele atendimento", afirma Silva.

Na arena empresarial, a estratégia da CTBC é replicar o que oferece aos clientes residenciais em sua área de concessão: a garantia de atendimento pessoal. "Cada empresa tem um gerente de conta e o cliente nunca fala com um call center indistinto. Contamos com gerentes comerciais regionais que acompanham as pontas", afirma o executivo.

Para reforçar a presença em São Paulo, em 2008 a CTBC investiu em uma rede óptica que hoje atende dois mil clientes. Preparada para banda larga de alta velocidade, os equipamentos que fazem a troca de tráfego de internet foram configurados para o novo protocolo IPv6 que pode interligar um número ilimitado de computadores, substituindo o atual IPv4, próximo da saturação. Nesse movimento a companhia foi pioneira entre as operadoras brasileiras. "Foi sorte de mineiro", brinca Silva.

Pelo ineditismo da rede, a empresa ganhou clientes como a Fundação de Ensino e Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a Nic.br (entidade que administra os nomes de registros da internet brasileira). Seguiram-se a eles 15 provedores de internet que também se preparam para evoluir para o novo protocolo IPv6.

A CTBC faz parte da holding Algar, que reúne oito companhias nas áreas agroindustrial, de turismo, de segurança e de serviços. A administração do grupo se profissionalizou no ano 2000, quando a família Garcia deixou cargos executivos e passou a fazer parte do conselho de administração. Todos os anos surgem boatos sobre uma oferta pública de ações, mas o grupo segue firme com capital fechado. A CTBC é a única empresa da holding que possui debêntures não conversíveis e segue as normas de governança da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Os investimentos da operadora, segundo o diretor-presidente, vêm de recursos próprios e de bancos de fomento. Neste ano a empresa investiu R$ 130 milhões em infraestrutura, menos que os R$ 230 milhões do ano passado, quando o orçamento incluiu recursos para a rede celular de terceira geração (3G).

Fonte: Valor Econômico