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Alfabetizadores de programas sociais não têm formação para docência, diz estudo

Publicado em 05 maio 2008

A maioria dos alfabetizadores de jovens e adultos de programas organizados pela sociedade não tem formação para a docência e vem de famílias de baixa escolaridade. Essa conclusão está na tese de doutorado de Claudia Vóvio, realizada na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), no interior de São Paulo.

O estudo mostra que os programas criados por iniciativa da sociedade -- incluindo movimentos sociais, centros comunitários e sindicatos -- são uma saída para a falta de estrutura do ensino público para absorver a demanda por alfabetização. Segundo o Pnad-2006 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), o país tinha 15,5 milhões de analfabetos com mais de 10 anos de idade.

Segundo a Agência Fapesp, a pesquisa "Entre discursos: Sentidos, Práticas e Identidades Leitoras de Alfabetizadores de Jovens e Adultos" foi trabalhada junto a professores do programa Educar para Mudar, do Conselho Comunitário de Educação e Cultura e Ação Social, uma organização não-governamental de Itaquaquecetuba (SP).

"Eles têm uma parceria com o governo federal e recebem verbas para organizar as turmas e pagar professores e coordenadores. Os locais são cedidos pela comunidade", explica Claudia.

Segundo a doutorando, os professores constróem uma imagem autodepreciativa e manifestam falta de confiança em cumprir o papel de alfabetizadores. "Por outro lado, eles se afirmam como leitores e discutem seu papel de uma perspectiva positiva, de autolegitimação".